Sábado, 22 de Abril de 2006
O Esgotamento dos Recursos Como Limite ao Crescimento Económico

O Esgotamento dos recursos e a necessidade de gestão do crescimento demográfico


A Terra é só uma, mas a multiplicidade dos sistemas/organismos que a utilizam não o são.


Os seres humanos individualmente ou em comunidade, numa região ou país lutam pela sobrevivência e pela prosperidade sem cuidar muito do que daí possa resultar para os outros. As consequências são desastrosas e globais e não dependem do grau de desenvolvimento.

Nos países industrializados, os elevados padrões de consumo estimulam a utilização dos recursos não renováveis e favorecem o desperdício. Nos países em desenvolvimento, com dívidas externas asfixiantes, a luta pela sobrevivência determina níveis de exploração dos recursos insustentáveis no futuro.

A crescente internacionalização da economia alarga a dimensão das consequências do funcionamento do sistema a todo o planeta. Os efeitos ambientais globalizam-se; a economia e a ecologia não podem dissociar-se.

Face à delapidação dos recursos no nosso planeta, teremos que crescer a um ritmo mais lento e até inverter as tendências de crescimento demográfico, de modo a reduzir as necessidades de consumo sem prejudicar o processo de desenvolvimento.

A sustentabilidade do desenvolvimento está intimamente relacionada com a dinâmica do crescimento demográfico.

Se é verdade que a redução das taxas actuais de crescimento populacional nos países em desenvolvimento é um imperativo ao desenvolvimento sustentável, também não é menos verdade que qualquer indivíduo que viva num país industrializado representa um encargo maior para a capacidade da Terra do que qualquer cidadão de um país mais pobre.

As ameaças à sustentabilidade dos recursos tanto vêm das desigualdades de acesso a esses mesmos recursos, como da forma como são usados, ou simplesmente do número de pessoas que os utilizam. Os padrões de consumo são tão importantes como o número de consumidores para a conservação dos recursos.

O equilíbrio entre a dimensão da população e os recursos disponíveis, a taxa de crescimento demográfico e a capacidade da economia em satisfazer as necessidades básicas da população, sem pôr em risco as gerações futuras serão com certeza o grande desafio das políticas de desenvolvimento nos próximos anos.

O caminho a percorrer rumo à sustentabilidade não é fácil, pois terá obviamente que passar por um conjunto de acções diversificadas:

    • limitar o crescimento demográfico;

    • controlar o impacto deste crescimento sobre os recursos;

    • aumentar a eficiência dos recursos (menos desperdício, menor consumo, maior durabilidade);

    • elevar o potencial humano (educação e formação);

    • melhorar os sistemas de segurança social.



A gestão dos recursos e as alternativas ao seu esgotamento


Biotecnologia


        Biotecnologia pode representar de alguma maneira a evolução da ciência e da técnica postas ao serviço da defesa e boa gestão dos recursos e do ambiente.


Pode ser aplicada na:

    • Silvicultura – maior resistência das árvores às doenças, optimização dos rendimentos, menor recurso aos adubos.

                              Benefícios na agricultura:

        • luta contra a erosão dos solos

        • tolerância vegetal às intempéries

        • criação de espécies resistentes aos parasitas

        • melhoria do valor nutritivo dos vegetais

        • luta contra a putrefacção dos frutos e legumes

        • aumento dos rendimentos agrícolas e da fertilidade dos solos

        • melhoria do processo de fotossíntese

    • Criação de gado – impulso das terapias hormonais, aperfeiçoamento de novas vacinas, novas técnicas de inseminação artificial.

    • Domesticação de microorganismos – melhorando a eficiência do processo de fermentação com aplicações na produção agro-alimentar (queijo, iogurte, cerveja), plásticos biodegradáveis, energis a partir de resíduos de matérias-primas e de lixos diversos.

    • Saúde – permitindo a produção da insulina e da hormona do crescimento por crescimento por bactérias previamente programadas em laboratório.

A biotecnologia permite reduzir os níveis de poluição dos processos de fabrico, aumentando o número e a intensidade de reacções químicas idênticas às da natureza.

O aproveitamento da intelegência artificial tem permitido avanços significativos da engenharia genética e molecular.

Consequências da produção e comercialização de plantas trangénicas (sementes sintetizadas em laboratório):

Positivas:

    • Aumento da produtividade agrícola, devido ao crescimento mais rápido dos produtos trangénicos e à redução dos custos do processo produtivo;

    • Diminuição da utilização de pesticidas e herbicidas devido à maior resistência a doenças e pragas das plantas trangénicas;

Negativas:

    • Alterações genéticas a grande escala e a introdução de bactérias e plantas mais resistentes, estão a inibir o crescimento ou a provocar a morte de outras plantas e micro-organismos necessários ao equilíbrio dos ecossistemas naturais – redução da biodiversidade.

    • Incertezas quanto aos seus efectívos benefícios (ou será malefícios?) para os seres humanos e para o equilíbrio ecológico do planeta – nomeadamente o seu impacto nas doenças degenerativas que afectam o homem, principalmente o cancro.

    • Uma vez que se trata de plantas com códigos genéticos melhorados em laboratório e, portanto, similares, no caso de epidemias ou pragas suficientemente fortes para as afectar, poderá ocorrer a extinção em massa de determinados tipos de plantas.

    • As «superplantas» necessitam de uma maior quantidade de nutrientes provenientes do solo para os seus processos energéticos, provocando desta forma o esgotamento dos solos num período de tempo muito inferior ao normal.




Política dos 3 Erres: a Reciclagem


Os 3 Erres: Recuperar/Reduzir, Reciclar, Reutilizar.

Potencialidades e benefícios da reciclagem, atendendo ao aumento dos consumos, à escassez dos recursos e ao facto de muitos não serem renováveis:

    • maior eficiência

    • mais tempo de vida do produto

    • redução dos gastos de matérias-primas

A separação e a reciclagem dos materiais após a sua utilização constituem passos significativos na defesa do ambiente. Por um lado transforma-se um resíduo potencialmente poluente num recurso útil, por outro lado, aumenta-se consideravelmente o ciclo de vida do produto, reduzindo-se a incorporação na produção de mais matérias-primas.

Vantagens indirectas da reciclagem:

    • Constituição de empresas com o objectivo de recuperarem os lixos industriais e municipais – utilizam mão-de-obra e capital e promovem a reciclagem de resíduos sólidos industriais e urbanos.

Através de um processo complexo de triagem, compressão, obliteração, derretimento e purificação, as matérias-primas podem voltar ao ciclo produtivo.

    • Os próprios fabricantes estão a conceber produtos cuja separação final das matérias-primas é mais fácil.

    • Redução da quantidade de lixo cujo destino final seria a armazenagem em aterros sanitários ou a incineração, com consequências graves no aumento da poluição da atmosfera, dos solos e das toalhas freáticas.

A reciclagem não contribui só por si para a redução do consumo dos recursos e do desperdício verificado na sua exploração. Importa também aumentar o tempo de vida dos produtos melhorando as suas capacidades de duração e reutilização.


Utilização de energias alternativas

A utilização de energias alternativas (solar, eólica, geotérmica, das marés e das ondas, hidroelectricidade, fusão nuclear e biomassa – matéria orgânica de origem animal ou vegetal e os resíduos resultantes da transformação natural ou artificial dessa matéria) a partir de fontes renováveis, em conjunto com uma maior eficiência energética, poderão conduzir à manutenção ou até à redução dos níveis de consumo das fontes tradicionais.

As novas tecnologias permitem reduzir os custos e os gastos de energia sem prejudicar o conforto dos seres humanos e a produtividade das suas economias.

Para muitos PVD, a utilização de energias alternativas constitui, desde já, uma opção eficaz para reduzir os custos de projectos de desenvolvimento locais.

O aumento da eficiência na utilização da energia recorrendo a tecnologias novas, substituindo a energia produzida a partir dos combustíveis fósseis por energias renováveis, contribuirá para a redução das emissões de poluentes responsáveis pelo efeito de estufa. Os níveis de poluição provocados pelas energias alternativas são mais baixos que os que resultam da energia fóssil ou até nuclear.

O aumento da diversidade e eficiência de energias/recursos energéticos, conduzirá à sustentabilidade das actividades humanas e à redução dos prejuizos ambientais, diminuindo os riscos de esgotamento dos combustíveis fósseis e os níveis de emissões poluentes resultantes da sua utilização.

É evidente a necessidade de alterar os sistemas de produção tradicionais intensivos em matérias-primas, água e energia, para torná-los ecologicamente mais sustentáveis. O recurso a processos de fabrico baseados nas chamadas tecnologias limpas traz imensas vantagens.


Sistemas limpos de produção de alimentos e produtos manufacturados caracterizam-se por:

    • não contaminarem os ecossistemas ao longo de todo o processo de produção

    • preservarem a diversidade na natureza e na cultura

    • protegerem a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas necessidades


Protecção dos solos


A produção agrícola só pode ser sustentável a longo prazo se os solos mantiverem as suas capacidades produtivas.

A capacidade da Terra em produzir alimento dependerá:

    • da distribuição equitativa dos recursos pelas populações

    • da redução da expansão urbana e das áreas de pastagem (que ocupam terrenos de boa aptidão agrícola)

    • da gestão racional da água e da diminuição dos riscos de contaminação (adubos, pesticidas)

    • da utilização de sistemas de irrigação mais eficientes, que reduzam os gastos supérfluos, a hidromorfia, a compactação, a salinização e a alcalinização

    • da utilização de outras técnicas agrícolas mais adequadas

    • da preservação ou regeneração da cobertura vegetal original, de modo a proteger os solos da acção dos agentes erosivos (precipitação, vento, etc)

    • do investimento progressivo na agricultura biológica.

 


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A Redefinição dos Modelos de Desenvolvimento
 

A Redefinição dos Modelos de Desenvolvimento


Repensar os Modelos de Desenvolvimento: o desenvolvimento sustentável



Sabendo-se à partida que a população continuará a aumentar nas próximas décadas, a questão à qual os modelos/estratégias de desenvolvimento deverão dar resposta será a do modo como se restabelecerá o equilíbrio entre ambiente-população-desenvolvimento.


Adopção de medidas locais, regionais, nacionais e supranacionais:

  • investimento em indústrias e actividades menos intensivas em recursos naturais e menos poluentes;

  • aplicação dos princípios do «utilizador-pagador» e do «poluidor-pagador», de modo a contabilizar os custos ambientais nos custos de produção

  • apoio crescente a actividades industriais que reduzam a produção de resíduos e desenvolvam processos de reciclagem e reutilização de materiais

  • abandono das políticas baseadas no crescimento do produto;

  • cumprimento dos acordos internacionais e a integração de questões ambientais nos debates no seio da OMC.

Esta medida revela-se fundamental se atendermos a que um grande número de tensões ambientais resultam dos desiquilíbrios socioeconómicos Norte-Sul, acentuados pela lógica da DIT.


Ao logo das últimas décadas, a consciência dos perigos que corremos multiplicou o número de organizações e programas cujo grande objectivo é alterar o nosso sistema de valores, os nossos estilos de vida, introduzindo a componente ecológica. Surgiram um pouco por todo o mundo associações e partidos ecologistas; ministérios do ambiente foram criados em mais de 70 países; a Conferência de Estocolmo 1972.


A Conferência do Rio 1992, acentua a necessidade de um desenvolvimento sustentável e adopta um conjunto de declarações/convenções sobre as florestas, o clima, a salvaguarda da biodiversidade.

Contudo, terão sido apenas meras declarações de princípios. De então para cá, o ritmo de degradação continua a ser superior ao de regeneração. A deterioração da biosfera continua.


A sustentabilidade só pode ser atingida através de políticas de desenvolvimento que alterem o modo como se distribui os custos/benefícios ou se utilizam os recursos.


Atingir a sustentabilidade não implica deixar de crescer, mas crescer melhor. O crescimento económico é necessário ao processo de desenvolvimento.


As estruturas do sistema mundial terão de se adaptar rumo à sustentabilidade. Deverão:

  • melhorar a informação

  • acelerar os ritmos de reacção (decidir antecipadamente sobre o futuro)

  • minorar a utilização de recursos não renováveis (aumentar a eficácia, a reciclagem e a utilização dos recursos renováveis)

  • prevenir a erosão dos recursos renováveis (utilização na proporção da sua capacidade de reprodução)

  • utilizar todos os recursos com a máxima eficiência

  • abrandar ou mesmo parar o crescimento exponencial da população e a ocupação do espaço pelas actividades humanas


A aplicação de estratégias de desenvolvimento ecologicamente correctas depende:

  • da acção individual e colectiva de cada indivíduo

  • do papel das empresas e de todos os agentes económicos

  • do papel do Estado e das políticas do ambiente

  • do respeito pelos tratados e pelo acordos internaccionais

  • do cumprimento dos caminhos traçados pelas conferências de Estocolmo 72 e Rio 92

  • da acção das organizações nacionais e internacionais.


É preciso reafirmar a incapacidade dos actuais modelos de desenvolvimento para resolver o problema da pobreza, do desemprego e da insatisfação das necessidades não materiais.

A solução passará com certeza pela redistribuição mais equilibrada dos custos/benefícios e pelo modo como as populações acedem aos recursos.


A Gestão dos «bens-comuns»


A globalização dos problemas ambientais, ultrapassando as fronteiras nacionais, põe em causa a soberania dos países.


A interdependência e generalização das consequências é tão forte que, a resolução dos problemas ambientais passará pela intensificação da cooperação internacional.

Pelas características do seu ambiente geográfico, certas zonas revelam-se fundamentais:

  • no equilíbrio climático

  • na salvaguarda da biodiversidade

  • no contributo para o desenvolvimetno económico mundial através dos seus recursos.

A comunidade internacional entendeu que estas zonas deviam ser objecto de uma «administração comum», dado o interesse vital da sua preservação, quer pelas suas dimensões, quer pelas características próprias já mencionadas.



Os Oceanos

  • Cobrem 2/3 da superfície mundial intervindo directamente no sistema climático como regulador térmico.


A camada superfícial do Oceano constitui um vasto reservatório de calor, cujo papel no equilíbrio térmico global é fundamental, em resultado das trocas que permanentemente ocorrem entre os oceanos e a atmosfera.


A suavidade dos climas oceânicos mostra bem o poder regulador do oceano.


O dinamismo dos oceanos no tempo (movimentos das águas à superfície e circulação oceânica em profundidade) determinará o ritmo das alterações climáticas, uma vez que uma parte do excedente de calor será armazenado nas águas de superfície.

  • A intensa poluição a que está submetido associada à circulação das águas ultrapassa as fronteiras das Zonas Económicas Exclusivas, afectando toda a dimensão oceânica.

  • As plataformas continentais são normalmente as áreas mais afectadas por todo o tipo de poluição, pela sua proximidade da costa, sendo as espécies duplamente afectadas:

  • pela sobreexploração dos bancos de pesca – tem efeitos negativos na redução dos níveis de crescimento da actividade nos últimos anos.

  • pelos efeitos da poluição – reflecte-se nas cadeias alimentares.

  • A necessidade de cooperação entre países para a administração comum do mar, face à globalização dos problemas, levou à definição recente da Zona Económica Exclusiva (ZEE) que corresponde a uma faixa de 200 milhas ao longo das costas dos países.



 Antárctida

  • Território gelado com uma superfície maior que os EUA e o México juntos.

  • Apesar da multiplicidade de bases científicas e estações de pesquisa de diferentes nacionalidades estabelecidas no continente, e não obstante as reivindicações territoriais por parte de 7 países, a Antárctida é administrada desde 1959 com base no Tratado de Washington.


    • tem assegurado ao longo dos últimos 28 anos a protecção ambiental do «continente branco» através de um regime de cooperação multilateral;

    • proíbe toda e qualquer actividade militar;

    • prevê uma cooperação internacional no âmbito científico

    • suspende todas as reivindicações de soberania em relação a esta parte do globo.

  • O reavivar de antigas reivindicações de soberania e a revisão do Tratado de Washington foram provocadas:

    • pela descoberta recente de riquezas marítimas e minerais no Pólo Sul

    • pelo facto de a enorme calota glaciar representar 90% do volume total de água doce do planeta.

Assinatura de um protocolo ambiental de âmbito mais alargado (1991):

    • impede a actividade mineira nos próximos 50 anos

    • impõ medidas de protecção ambiental mais drásticas do que as do anterior tratado.

  • A Antárctida passou a ser designado desde então por «reserva natural devotada à paz e à ciência».

  • Salvaguardar o futuro deste continente é do interesse da humanidade.



Espaço Exterior

  • Com a evolução tecnológica e a utilização mais intensa das camadas superiores da atmosfera, tornou-se essencial considerar o espaço exterior como área comum global.

  • Este tem uma importância vital na vigilância dos sistemas naturais da Terra (observatório da vida) e, como tal, faz parte da herança comum da humanidade.

  • Um novo impulso na corrida aos armamentos e, em particular, na iniciativa americana da guerra das estrelas, abandonada com o fim da guerra fria, estão também a ameaçar o equilíbrio do espaço orbital e a segurança do planeta.

  • A utilização da energia nuclear na aeronáutica e astronáutica e a existência de detritos (satélites e naves espaciais abandonadas, invólucros de foguetões e reservatórios de combustíveis vazios) continua a preocupar a comunidade internacional.

  • Deve-se procurar aprofundar o âmbito do tratado do espaço exterior, concebendo «um código de conduta» para assegurar que o espaço continue a ser um ambiente de paz, para benefício de todos.


Florestas Tropicais Húmidas

  • A intensidade e a dimensão da desflorestação constitui uma grave ameaça ao futuro da biodiversidade e ao equilíbrio climático global.

  • Importa preservá-la como património da humanidade através de uma gestão inteligente que ultrapasse os interesses particulares dos Estados que sobre ela exercem a sua soberania.

  • Um país é insuficiente para tratar das ameaças a ecossistemas partilhados. As ameaças à segurança ambiental só podem ser tratadas pelo esforço conjunto e por procedimentos e mecanismos multilaterais.






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publicado por Ana Silva Martins às 19:28
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O Papel das ETN na Crescente Mundialização das Trocas de Bens, Capitais e Informação

 

A Intensificação das trocas comerciais à escala mundial e os principais fluxos comerciais

 

 Razões que explicam a aceleração significativa das trocas (pós-II Guerra):

    • Acordos do GATT – General Agreement on Tarifs and Trade – que permitiram a descida significativa das taxas alfandegárias;

    • Movimentos de integração económica europeus (CEE, UE, EFTA) e extra-europeus (NAFTA, Mercosul)

    • Dispersão espacial da produção - deslocalização e relocalização. - Facilitada pelos progressos dos meios de transporte e pelas estratégias das empresas transnacionais (ETN)

    • Explosão demográfica e melhoria do nível de vida

    • Grandes assimetrias na distribuição dos recursos

Porém, a intensificação dos fluxos de mercadorias não se repercutiu igualmente em todo o mundo (3/4 das exportações realizam-se entre os países mais desenvolvidos e os membros da UE).

    • Os desiquilíbrios no comércio mundial são cada vez mais acentuados verificando-se um claro domínio da Tríade e das ETN (as mais beneficiadas com este crescimento) originárias do G7 e de alguns NPI.

    • Distribuição das exportações mundiais: UE – 40%, EUA – 15%, JPN – 8%.

    • Aumento do comércio intra-blocos em relação ao comércio inter-blocos. 

 O Comércio mundial é um agente impulsionador da mundialização das economias.

O comércio de mercadorias têm-se caracterizado:

    • por uma diminuição do peso dos produtos do sector primário nas exportações mundiais devido à deterioração dos termos de troca, à auto-suficiência alimentar de países muito populosos e à diminuição da procura mundial destes produtos.

    • Por um aumento do peso dos produtos manufacturados nas exportações mundiais devido à intensificação dos processos de industrialização à escala planetária e à divisão internacional dos processos produtivos.



A Liberalização das trocas de serviços


 As trocas de serviços têm-se caracterizado:

    • por um aumento da população activa a trabalhar neste sector;

    • pela terciarização da indústria face ao recurso crescente a serviços intermédios e finais - interpenetração da indústria e dos serviços (terciário recorre a indústria e secundário recorre a serviços);

    • por um aumento da importância dos serviços nas trocas internacionais devido à liberalização das trocas e à crescente privatização de sectores na posse do Estado.

 A liberalização das trocas de serviços tem possibilitado que os fluxos se multipliquem a nível mundial:


    • Surgimento de grandes ETN vocacionadas para dar resposta às novas necessidades decorrentes do aumento das trocas de mercadorias.

    • Intensificação dos fluxos de serviços entre países (turismo, cooperação técnica, cultura).


Intensificação dos movimentos de capitais


 A contabilização dos fluxos de capitais é dificultada pela natureza muito diversa dos mesmos – transferências privadas e públicas, investimentos directos, investimentos de carteira (acções, títulos, etc) ou operações de crédito.

 As ETN realizam uma parte significativa das transferências de capital. Dado que as mesmas se realizam no interior da empresa entre as filiais e a empresa-mãe, a dificuldade de contabilização é ainda maior.

 Os fluxos de capitais constituem um factor essencial ao crescimento económico.


 Causas da intensificação dos movimentos de capitais:

  • modernização dos mercados financeiros,

  • crescente liberalização das economias

  • desenvolvimento das tecnologias de informação.


 Os movimentos de capitais têm-se caracterizado:

  • Por um aumento dos fluxos de capitais destinados à ajuda ao desenvolvimento, ao financiamento das actividades comerciais e ao investimento (IDE), tendo o maior volume origem nos países da tríade e como destino principal os países industrializados;

Através do IDE, as ETN financiam o funcionamento das empresas filiais nos países anfitriões, consolidando o processo de penetração nos mercados externos.

  • Por um aumento dos fluxos entre países detentores de excedentes financeiros e os Estados com elevadas dívidas externas (esses fluxos encontram-se por vezes associados ao comércio de produtos ilícitos e ao narcotráfico);

  • Por um aumento dos fluxos especulativos à procura da maior rendibilidade impulsionados pela modernização dos mercados financeiros, por uma crescente liberalização das economias, apoiados nas tecnologias da informação e na instabilidade das taxas de câmbio.

    • As principais praças financeiras internacionais (Bolsas de Valores) constituem as «placas giratórias» independentes de apoio à circulação mundial do dinheiro, funcionando 24 horas por dia.

    • A mobilidade do capital é tal que originou o desenvolvimento de movimentos especulativos que podem perturbar o funcionamento das economias nacionais.

  • Pela diminuição da soberania dos Estados face à turbulência provocada pelos fluxos de capitais especulativos e às estratégias das ETN.



Intensificação dos Fluxos de Informação


Os fluxos de informação têm-se caracterizado por:

    • uma autêntica revolução tecnológica que proporciona um acesso mais fácil à informação (troca de informação em tempo real).

    • Um aumento da importância da informação como recurso das empresas e das organizações no mercado global e, cujo domínio se revela fundamental.

    • A informação é, no mercado global, um importante recurso das empresas e das organizações em geral.

O seu domínio é fundamental para a definição das estratégias das ETN (que montam mesmo as suas próprias redes de informação) e para promover competitividade, e tem servido para os países mais desenvolvidos manterem o seu domínio económico e cultural.

  • Uma concentração evidente das tecnologias de comunicação nos países desenvolvidos.

    • Os países pobres encontram-se marginalizados no acesso à informação. A sociedade, ao organizar-se em rede, está a criar dois sistemas paralelos de comunicação.

    • A predominância dos EUA no domínio da comunicação e da informação é esmagadora (76% dos bancos de dados são norte-americanos). Este domínio apoia-se:

    • no poderio da sua indústria informática

    • no poderio dos seus bancos de dados que armazenam grande quantidade de informação científica e comercial

    • nos grandes grupos ligados à imprensa e aos meios multimédia

    • na indústria cinematográfica

    • na indústria de comunicação.




A Acção das ETN

Empresa Transnacional (ETN): Toda e qualquer entidade que tenha por vocação produzir ou comercializar bens ou serviços, e que prossegue esse objectivo através da instalação de diversos estabelecimentos no território de vários estados, por entre os quais reparte os recursos disponíveis de forma a que possam executar actividades concertadas à escala global.

O termo multinacionais não é correcto pois estas empresas não têm capital de várias nacionalidades. Em contrapartida, o termo transnacionais retrata a autonomia destas firmas relativamente ao seu país de origem e o facto de elas definirem estratégias, considerando o planeta como um todo único.

As ETN são actualmente os motores da mundialização da economia. Associadas ao processo de internacionalização da actividade produtiva, têm vindo a implantar-se em vários países a partir dos três pólos da tríade.

Principal característica de uma ETN: realizar investimentos directos fora do território nacional onde está sediada, controlando total ou parcialmente a empresa em que o investimento se efectua.

Objectivo: minimizar os custos de produção e penetrar no mercado mundial.

Na sua estratégia de controlo dos mercados, utilizam tácticas diferentes consoante a situação de cada país ( e as suas vantagens comparativas).


  • Desenvolvem estratégias de deslocalização e relocalização das actividades:

  • Implantam segmentos de um processo produtivo em diferentes territórios nacionais, à procura das condições óptimas de produção e dos mercados mais atractivos.

  • Subcontratam a empresas estrangeiras componentes daquele processo, reservando para si os segmentos da cadeia produtiva ou os artigos de maior valor acrescentado.

  • Para atingir a máxima rendibilidade criam sucursais nos países ou regiões onde obtêm vantagens comparativas (recursos naturais, salários mais baixos, paraísos fiscais, ausência de liberdades sindicais, legislação laboral permissiva, benefícios fiscais, facilidades no repatriamento dos lucros, subsídios da UE e outros benefícios concedidos pelas autoridades locais).

  • Consequências das deslocalizações para os países onde se instalam:

Vantagens:

  • Criação de empregos

  • Transferência de tecnologia

  • Entrada de divisas

  • Criação de pólos de crescimento

  • Crescimento das exportações

Inconvenientes:

  • Interesses diferentes dos dos governoc locais

  • Falência de algumas empresas locais

  • Aumento das assimetrias regionais

  • Êxodo rural

  • Transferência dos lucros para o país onde se encontra a sede da ETN

  • Maior dependência face ao exterior.

O poder das ETN sobrepõe-se ao dos Estados que vão perdendo progressivamente o controlo sobre a acção destas empresas.

  • Os benefícios exigidos pelos governos locais não vão além de compromissos de reinvestimento no país de uma parte dos lucros obtidos, o que nem sempre é cumprido por motivos de «força maior».

  • As suas estratégias passam por cima ou ao lado das políticas económicas dos Estados nacionais.

  • Algumas empresas apresentam volumes de negócios superiores ao PNB dos países onde estão localizadas.

  • O seu poder económico e elevado número facilita a ingerência, com frequência, nos assuntos internos dos países. As ETN influenciam, por vezes, não só o desenvolvimento económico de um país ou região, como também a política de investimentos dos Estados, a sua capacidade produtiva e de mobilização de mão-de-obra.

  • Quando os Estados exigem alguns benefícios ou, em situação de conflito de interesses, nacionalizam as suas filiais, as ETN podem participar activamente no apoio ao derrube de governos menos favoráveis (exemplo: apoio ao golpe militar do general Pinochet e ao assassínio do Presidente Salvador Allende, no Chile).

O fenómeno da transnacionalização, que se relaciona, sobretudo, com a crescente importância das ETN no funcionamento da economia mundial, põe em causa o Estado-Nação no seu papel de agente económico básico e fundamental das relações económicas internacionais.

O comércio internacional baseado na transacção entre empresas nacionais, sediadas num território nacional em que o Estado é soberano em questões fundamentais deu lugar a um sistema de comércio caracterizado pela integração entre economias nacionais e pelo papel cada vez mais influente das ETN. Só o comércio interno entre filiais e empresa-mãe representa um terço das trocas comerciais internacionais.

Com o objectivo de continuar a penetração em todos os mercados e impedir a expansão das empresas concorrentes, as ETN multiplicam as fusões, as alianças estratégicas, os acordos de cooperação com outras empresas (joint ventures) e as absorções das concorrentes, favorecendo as economias de escala.

As gigantescas empresas que resultam dos processos de fusão e de alianças, levam a cabo reestruturações das suas actividades, responsáveis pela supressão de inúmeros postos de trabalho. Ao mesmo tempo, os mercados financeiros reagem positivamente garantindo a valorização das acções da nova empresa e a obtenção de mais-valias.




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publicado por Ana Silva Martins às 19:26
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A Crescente Interdependência Mundial


Os Efeitos da Crescente Interdependência na Definição de Novos Posicionamentos Internacionais Face à Questão do Terceiro Mundo


 

A Expansão do Comércio Internacional


Causas da expansão do comércio internacional:

  • abertura crescente das economias nacionais

  • desenvolvimento das ETN

  • segmentação da produção de bens e a sua dispersão geográfica

  • progresso dos meios de transporte

  • liberalização das trocas

O comércio internacional é um agente importante da mundialização das economias.

  • A tríade realiza mais de dois terços das trocas.

  • A integração regional constitui a forma dominante de comércio.

  • Aparecimento de novos pólos em resultado da intensificação das trocas, no sentido de uma multipolaridade e do reequilíbrio dos fluxos em detrimento do Atlântico Norte e em benefício do Pacífico e do Índico.

Os fluxos de Comércio traduzem as interdependências crescentes que ligam as economias do planeta.

            Multiplicam-se os laços nos domínios económico, ambiental, cultural e político.

Impulsionada pelo GATT/OMC e pela criação de espaços de integração económica regionais, a liberalização das economias prossegue.


 

Os Espaços de Integração Económica e a Regionalização das Trocas


A constituição de organizações regionais (a partir década de 70) vai permitir um equilíbrio entre a crescente mundialização e a pulverização de novos Estados-Nação.

Os blocos regionais constituem espaços intermédios entre as nações e a economia mundial.

Os principais acordos que deram origem a estes espaços centram-se nos países industrializados:

  • NAFTA (North American Free Trade Agreement) – EUA, CAN, MEX e ainda relações privilegiadas com outros países do continente americano, excepto Cuba.

  • CEE/UE, EFTA e acordos com países mediterrâneos do Norte de África e do Próximo Oriente e ainda países ACP, reforçando e alargando o espaço de influência europeia.

  • ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático) – Brunei, Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Cambodja, Laos e Vietname.

  • MERCOSUL (Mercado Comum do Sul) – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

  • O Japão também intensificou os laços económicos com os países do sudeste asiático e com os países do continente americano da região do Pacífico.

  • APEC (Cooperação Económica da Ásia do Pacífico) – Promove o comércio-livre entre os seus membros.


Veio confirmar a importância crescente que a região do Pacífico está a ter no domínio das trocas internacionais.

O centro de gravidade da economia mundial está a transferir-se do Atlântico Norte para o Pacífico. Desenvolve-se uma densa rede de fluxos de mercadorias, serviços e capitais, cujo valor se acelera, a par do forte crescimento das economias emergentes da região.

No entanto, persistem graves assimetrias na repartição do rendimento, geradores de conflitos sociais. A manutenção da pobreza poderá pôr em causa o crescimento económico.

A regionalização do mundo poderá ser um factor de integração dos países em desenvolvimento na rede mundial de trocas, atendendo ao facto das economias emergentes e latino-americanas estarem a ter uma importância crescente na economia do planeta.


Contudo, assiste-se, simultaneamente, a uma polarização regional das trocas no interior dos blocos.

A mundialização está a fomentar as trocas no interior dos blocos regionais, em detrimento dos fluxos extra-regionais.

A constituição de blocos regionais limitará a mundialização ao fomentar as trocas no interior dos blocos em detrimentos dos fluxos extra-regionais?

O fosso na distribuição da riqueza entre os pólos da tríade e os PMA tem vindo a agravar-se, bem como entre as chamadas economias emergentes e os outros países do Terceiro Mundo.

O fosso entre as economias emergentes e os outros países do Terceiro Mundo terá tendência a agravar-se?

 

A Importância de uma Entidade Reguladora do Comércio Mundial


  • GATT (General Agreement on Tarifs and Trade - 1947) – É apenas um acordo e não uma organização e constitui um conjunto de cláusulas cujo objectivo é liberalizar as trocas internacionais.

  • Conseguiu uma diminuição significativa das tarifas alfandegárias nos países industrializados.

  • A dificuldade e complexidade das negociações acelerou o processo de constituição da OMC, que lhe sucedeu.



  • OMC (Organização Mundial de Comércio)

Sucedeu ao GATT após a assinatura dos Acordos de Marraquexe (1994), procurando responder às insuficiências do GATT.

A OMC abrange não só o comércio de mercadorias, mas também dos serviços e das ideias, ou seja, a propriedade intelectual. Este alargamento de competências resulta do facto de querer impedir as várias formas de dumping 1e impulsionar a crescente liberalização do comércio internacional.

Objectivos da OMC:

  • Segurança colectiva: arbitragem dos diferendos comerciais num quadro multilateral (válido para todos) e não mais bilateral, em que o mais forte dos dois impõe geralmente a sua lei;

  • Redução das barreiras tarifárias e, sobretudo, das não tarifárias;

  • Desenvolvimento duradouro: este objectivo reflecte a moderna consideração da preservação do ambiente no crescimento económico.

Os Acordos de Marraquexe nem sempre têm sido respeitados e, em muitas matérias o lítigio entre EUA e UE é permanente. A PAC e a regulamentação da produção e da comercialização de produtos trangénicos e de carne com hormonas, são algumas das causas das divergências.

A acção da OMC através de mecanismos de arbitragem dos conflitos entre os países membros (muitos deles apresentados pelos países em desenvolvimento), pode ser considerada um primeiro esboço de direito comercial internacional.

Liberalização do Investimento Estrangeiro: Os perigos do AMI (Acordo Multilateral de Investimento):

  • Limita o poder dos Estados-Nação já que favorece as ETN, permitindo o repatriamento total dos lucros, a compra de terras e imóveis, a instalação de fébricas, ou a exploração dos recursos do país.

Algumas das suas acções têm resultado da pressão dos seus membros mais poderosos e das respectivas ETN que vêem na liberalização dos mercados benefícios acrescidos para as suas actividades.

A liberalização dos serviços/mercados de capitais resultou da pressão dos EUA sobre os NPI e conduziu à prática do dumping social 2e favoreceu a exploração do trabalho infantil, mesmo nos países do Norte.

O incremento das trocas comerciais, associado ao desemprego nos países do Norte e à emergência das semiperiferias, alterou os anteriores equilíbrios e gerou novas tensões.


O recurso às várias formas de dumping e a adopção de práticas proteccionistas têm sido responsáveis pelo clima de tensão entre os parceiros da Tríade. Simultaneamente, têm beneficiado os países mais desenvolvidos e as suas ETN e contribuído para a posição de fragilidade do Terceiro Mundo.

Face aos interesses em jogo, não existe alternativa à OMC como entidade reguladora do comércio internacional. Para evitar o agravamento da guerra económica entre as diferentes fortalezas proteccionistas regionais, só através de avanços negociados e de compromissos sucessivos, no sentido de uma economia mundial sem entraves ao comércio.

 

O Frágil Posicionamento do Terceiro Mundo


Mais comércio deveria significar mais desenvolvimento se outras questões que se relacionam com problemas de financiamento e endividamento externo, transferência de tecnologia, protecção social e cooperação para o desenvolvimento fossem igualmente contempladas nas negociações no seio da OMC.

Os países que não pertencem ao núcleo mais desenvolvido têm sido prejudicados nas negociações por disporem de um reduzido poder negocial.

Muitos países pobres da Ásia e da América Latina viram o crescimento das exportações de produtos manufacturados e a comercialização de produtos agrícolas serem limitados por restrições impostas pelos países desenvolvidos.

Estas medidas proteccionistas constituem um obstáculo ao crescimento das exportações e impedem a diversificação da sua produção.

É necessário abolir as medidas proteccionistas impostas pelos países industrializados do Norte, de modo a facilitar a expansão rápida das exportações dos países em desenvolvimento, e permitir o acesso destes aos mercados dos países industrializados em condições concorrenciais para os seus produtos.

Se se continuarem a constituir obstáculos à normal participação do Terceiro Mundo no sistema de trocas, as assimetrias económicas e sociais do planeta serão maiores. Os blocos regionais dominados pelos grandes pólos da economia mundial continuarão a vincar contrastes com vastas áreas pariféricas do sistema mundial.



A Importância das Relações Sul-Sul no Reforço da Posição dos PMD

 


 

A Necessidade de atenuar os desiquilíbrios no comércio internacional


DIT:
  • Até à década de 70: as relações comerciais entre o Norte e o Sul baseavam-se numa Divisão Internacional do Trabalho (DIT) que era o prolongamento das relações coloniais ancestrais.´
  • Após anos 70: Emerge uma nova DIT em resultado das deslocalizações das ETN para os países em desenvolvimento e da subcontratação de empresas, associadas às estratégias extrovertidas adoptadas pelas economias do sudeste asiático.


               Nova DIT Reflecte uma nova hierarquia com níveis intermédios de desenvolvimento.


  • Países Industrializados - produzem bens oriundos do sector de ponta.

  • NPI – produzem e exportam bens manufacturados com forte incorporação de mão-de-obra e também exportam bens de alto nível tecnológico. A mão-de-obra barata e o aperfeiçoamento das tecnologias de ponta fazem destes países concorrentes do Norte.

  • PMD – adoptam tecnologias menos sofisticadas, especializam-se na produção de bens de baixo valor acrescentado e apostam em indústrias fortemente intensivas em mão-de-obra.


Consequências da nova DIT:

  • As desigualdades de desenvolvimento persistem;

  • Os desiquilíbrios no comércio internacional tem conduzido ao endividamento externo;

  • O fosso dentro do Terceiro Mundo tem aumentado.

    • É necessário atenuar os desiquilíbrios do comércio internacional para que os benefícios possam ser distribuídos de forma mais equilibrada, servindo também os interesses dos PED.

    • Promover relações económicas mais justas e implementar o desenvolvimento, são acções essenciais à erradicação da pobreza.


O Equilíbrio da Balança Comercial: medidas para atenuar os desiquilíbrios da Balança comercial e reduzir a dependência económica dos países em desenvolvimento:

  • Reforço da participação dos países do Sul no comércio mundial, de modo a garantir maiores benefícios, através da melhoria dos termos de troca e do acesso aos mercados

  • Promoção da cooperação Sul-Sul e formação de alianças regionais ou sectoriais para garantir maior poder negocial aos países em desenvolvimento

  • Aceleração da eliminação do apoio à agricultura nacional por parte dos países industrializados, o que ajudaria a garantir o acesso aos mercados dos produtos agrícolas dos PED em condições de concorrência

  • Revisão dos acordos comerciais que beneficiam os produtos dos países desenvolvidos

  • Estabelecimento de preços mais justos para as matérias-primas e os produtos agrícolas.


Interdependência e cooperação:

Com a finalidade de reforçar a participação do Sul e, nomeadamente, dos PMD nas trocas mundiais têm-se promovido várias formas de cooperação:

  • SPG – sistema em vigor desde 1971. Pretende que alguns produtos do Sul tenha acesso a vantagens tarifárias, sem reciprocidade, no âmbito do princípio «Trade, but not aid».

  • CNUCED – responsável pela aprovação de uma NOEI, apesar dos progressos pouco assinaláveis, e pela execução de um programa de auxílio a vários níveis aos PMD.

  • Programa de accção para os anos 90 no âmbito da IIª Conferência das Nações Unidas sobre os PMA. Os objectivos traçados por este programa não foram alcançados: a dívida externa não foi aliviada, a APD diminuiu, o rendimento per capita apresenta um valor inferior ao registado no ínicio da década, e o ritmo das melhorias alcançadas nas áreas da saúde e da educação tem diminuído.


Cooperação e interdependência entre as economias do Sul

    • A pobreza tem vindo a atenuar-se e as trocas de produtos industriais e de serviços efectuadas entre os países do Sul, tem aumentado no conjunto do comércio mundial.

    • No entanto, o fosso entre as economias que mais beneficiaram com a mundialização e as menos desenvolvidas aumentou, e a pobreza extrema afecta ainda cerca de 25% da população mundial.

A deterioração dos termos de troca tem dificultado os processos de desenvolvimento.

    • Medidas defendidas pelo PNUD para promover o comércio justo e o desenvolvimento:

  • Eliminação da pobreza;

  • Governação mais democrática e eficiente;

  • Repartição mais equitativa dos recursos;

  • Preços justos para os produtos primários;

  • Acesso aos mercados dos países do Norte;

  • Eliminação dos apoios que os países industrializados habitualmente dão aos parceiros económicos;

  • Sistema de trocas e de movimento de capitais mais equilibrados;

  • Promoção do investimento em indústrias orientadas para o abastecimento dos mercados globais;

  • Melhorar o sistema de saúde e promover a educação e os direitos humanos.

    • No sentido de lutar pelos seus próprios interesses, têm surgido, desde a década de 60, importantes organizações internacionais regionais, sub-regionais e inter-regionais. Os países do Sul estão conscientes de que a sua união lhes permite um maior poder negocial.

  • Década de 60: Movimento dos não-alinhados; Grupo dos 77, ASEAN, OPEP.

  • Década de 70: SPEC (Comissão para a Cooperação Económica do Pacífico Sul), CEEAC (Comunidade Económica da África Central).

  • Década de 80: União Árabe do Magrebe, Rede de Organizações Científicas do Terceiro Mundo.

Apesar do reconhecimento de que o Sul deverá contar consigo próprio e, como tal, deverá intensificar as suas relações, a crescente interdependência mundial exige o entendimento Norte-Sul, baseado num relacionamento mais equilibrado e paritário. A insustentabilidade das dificuldades do Terceiro Mundo poderá originar graves conflitos mundiais.


1 Dumping – venda de bens abaixo dos custos de produção ou prática, nos mercados externos, de preços inferiores aos do mercado interno.

Dumping monetário – manipulação das taxas de câmbio pelas autoridades monetárias dos países exportadores para que os seus produtos sejam mais competitivos no mercado internacional.

2 Dumping Social – surge queando os salários são muito baixos e a protecção social é inexistente ou muito deficiente. Nesta situação os ganhos de produtividade não beneficiam os trabalhadores apenas aumentando os lucros do sector exportador.


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Mudança Social



Noção de Mudança Social:


  • O sistema cultural não é um sistema fechado, antes vai crescendo e transformando-se com o contributo intelectual e artístico dos homens e mulheres de cada tempo e lugar. Sendo um fenómeno participado, que concretiza a forma de expressão e de realização de um grupo, cada geração irá dar-lhe o seu contributo ao encontrar novas formas e idealizar outros valores, ao inventar outras formas de relacionamento e ao criar novas tecnologias.  

A cultura transmitida a cada geração nunca é a cultura que a geração presente herdou mas a que já produziu.

  • Mudança Social: Toda a transformação observável no tempo, que afecta, de modo não provisório ou efémero, a estrutura ou o funcionamento da organização social de uma dada colectividade e modifica o curso da sua história.

             É a «transformação dos valores, ideais e formas de relacionamento resultantes, nomeadamente, de processos de modernização que questionam o antigo e do relacionamento mais forte entre os povos dos diferentes espaços nacionais, em virtude dos processos progressivos de interdependência a nível mundial».


Características da mudança:

  • É um fenómeno colectivo – afecta e implica um conjunto substancial de indivíduos que verão, assim, alterados o seu modo e condições de vida.

  • Corresponde a uma mudança estrutural e não a uma adaptação funcional das estruturas existentes – torna-se possível observar alterações profundas na forma de organização social passíveis de comparação com as formas anteriores.

  • É identificável no tempo, o que nos permite detectar e descrever as alterações estruturais a partir de um ponto de referência.


A mudança social surge assim como a diferença observável entre dois estados da realidade social.

  • Não é efemero – qualquer evento passageiro, independentemente da sua força de pressão e de desorganização social, não conduz à mudança social, pois os seus efeitos desaparecem progressivamente com a adaptação funcional do sistema cultural existente.

Etapas do processo de mudança:

  • Descristalização do sistema de ideias vigente;

  • Reestruturação de um novo sistema noutras bases;

  • Recristalização do novo sistema de ideias.

  • A evolução social resulta do processo de mudança.




Factores e Agentes de Mudança

  • Não é possível encontrar uma causa ou agente único que se possa considerar exclusivamente responsável ou determinante pelos acontecimentos sociais.


No domínio do social, existe sempre uma multiplicidade de causas que, interagindo, produzem situações complexas, implicando, por sua vez, repercussões em diferentes domínios sociais.

É nesta convergência de factores que se deverá procurar não a causa, mas o conjunto das causas que permitiram o desencadear do processo de mudança.



  • Factores Geográficos:

  • Em resultado de cataclismos, secas, inundações, pragas, etc, tem-se assistido a grandes êxodos da população rural dos países do Terceiro Mundo. Esta não se encontrando preparada para o exercício de actividades profissionais mais exigentes, acaba por constituir uma mão-de-obra desqualificada e mal paga, sendo obrigada a viver em péssimas condições higiénico-sanitárias e sociais, o que tem provocado alterações nas estruturas sociais das grandes cidades.

  • Este fenómeno é igualmente observável nos países em vias de desenvolvimento onde a agricultura é uma actividade em declínio afastando as populações para os centros urbanos em ascensão.



  • Factores Demográficos:

  • Variações nas taxas de crescimento populacional ou grândes êxodos populacionais podem originar situações de mudança social. (ex: emigração inglesa para a américa)

  • Antigamente, os emigrantes provocavam grandes alterações no modo de vida das populações autóctones. Hoje em dia, os emigrantes, por contacto com as culturas dos países para onde emigraram, trazem as sementes da mudança para os países de origem.

«Com locais de destino geograficamente muito mais próximos, as relações entre residentes e emigrados mudaram totalmente. Os contactos entre residentes e emigrados passaram a ser regulares: as visitas aos parentes emigrados ou as viagens destes constantes às terras de origem, para férias, eram comuns e são ainda hoje constantes.»


  • Factores Políticos e Sociais:

  • Factores como a luta de classes ou o conflito político, a acção das elites sociais ou o aparecimento de movimentos sociais portadores de valores e modelos culturais diferentes constituem exemplos de forças capazes de despoletar situações de mudança.

  • As mudanças decorrentes do 25 de Abril de 1974 são bem representativas da acção decisiva de uma causa de natureza política.


  • Factores Culturais:

    • A evolução das ideias: subcultura e contracultura

  • Na vida social, os indivíduos relacionam-se dinamicamente. Quer se enquadrem na ordem social vigente, quer a contestem, os indivíduos, ao relacionarem-se entre si, refazem a cada dia o tecido social.


Nesta teia de relações que entre eles se estabelece podem residir os embriões da mudança.

  • Ao colocar em contacto comunidades de indivíduos portadores de culturas diferentes, poderão ocorrer alterações no comportamento de uns e de outros que se concretizam, naturalmente, em futuros processos de mudança cultural e social.

  • Subcultura – conjunto de relações e traços culturais que, simultaneamente, afasta e aproxima certos grupos da sociedade global, não pondo em causa a cultura dominante.


Quando deparamos com uma subcultura, somos levados a identificar um grupo que, apesar de produzir a sua cultura, não se afasta, de forma significativa, da cultura dominante, antes dela acolhe e assimila inúmeros traços, ao mesmo tempo que contribui para a evolução da cultura dominante que assimila, por sua vez, alguns dos traços das subculturas.

Desta forma, as subculturas podem constituir-se como factores de mudança cultural e social.


  • Contracultura – indivíduos e grupos que, não só se afastam dos modelos de comportamento socialmente aceites, como os rejeitam e contestam radicalmente, ao mesmo tempo que apresentam uma alternativa cultural à que é dominante.


A contracultura não representará portanto a negação pura e simples da cultura tradicional, antes pressupõe a existência de uma alternativa cultural.

O fenómeno da contracultura assim considerado exige que os indivíduos conheçam e interpretem a cultura dominante, para poderem colocar-se «contra» ela e construírem uma outra, assente em valores culturais bem distintos.

«É necessário ser-se culto e possuir os meios intelectuais fornecidos pela ideologia oficial, graças à ciência e à estética, para que uma herança se possa recusar».


Será no seio da classe ou dos grupos dominantes que se produzirão os mais importantes fenómenos contraculturais. Logicamente, a contracultura exige uma ideologia que justifica a estrutura e a acção do grupo, pelo que não há contracultura sem contra-ideologia.


Naturalmente que todo o movimento contracultural ao constituir alternativas aos modelos «oficiais», tende a ser anulado, por processos vários pela cultura dominante.

Para evitar ser recuperada pela sociedade «contra» a qual se edificou e de se tornar, ela própria, um novo pilar conservador dessa sociedade, a contracultura tem de se organizar em contra-instituições fortes e fechadas à investida da cultura dominante.



    • A Religião

  • A religião, como elemento integrante da cultura dos povos, é também um factor condicionante da mudança.


    • O contacto entre culturas

  • O contacto entre realidades culturais diferentes poderá provocar práticas sociais diferentes nomeadamente através do fenómeno da assimilação.



  • Factores Tecnológicos

- As descobertas científicas, quando postas em prática, isto é, quando transformadas em novas tecnologias, tornam-se factores de mudança.


  • Factores Psicossociológicos

  • Estão relacionados com a receptividade que diferentes populações manifestam em relação ao «novo».

  • O grau de instrução, a cultura geral e a informação são factores que contribuem para uma maior abertura à mudança, enquanto que a ignorância favorece o conservadorismo.

  • As sociedades individualistas (exemplo: sociedade americana) mostram-se mais dispostas à evolução e progresso do que as sociedades mais integradas, onde o indivíduo se subordina ao grupo.



  • As necessidades sentidas

  • Enquanto as pessoas não tiverem consciência de que se encontram num estado de carência, desejando alterar a sua situação, pouco ou nada farão para a mudar.


Não será suficiente a percepção do estado de carência; é preciso que os indivíduos consigam resolver o problema existente. Esta última parte relaciona-se proximamente com a base cultural da população e a sua alfabetização.



  • A mundialização


  • O factor mundialização é frequentemente salientado como elemento facilitador do processo de mudança, pela aproximação que suscita entre indivíduos, nações ou Estados.

  • A mundialização é manifesta nomeadamente ao nível:

      • da interdependência económica e da criação dos grandes espaços supranacionais, como a UE

      • da expansão das tecnologias de informação;

      • da globalização das comunicações;

      • da globalização dos padrões de comportamento;

      • da internacionalização dos conflitos mundiais;

      • da visão ecológica global.



Agentes de Mudança


  • A influência de que os indivíduos estão revestidos e que lhes é reconhecida pela generalidade da população, quer essa influência provenha de situações institucionais ou carismáticas, pode ser decisiva na aceitação de novas situações por parte das populações em geral.


                       Elites: pessoas ou grupos que, graças ao poder que detém ou à influência que exercem, contribuem para a acção histórica da colectividade seja pelas decisões tomadas, seja pelas ideias, sentimentos ou emoções que experimentam ou simbolizam.


  • Grupos com capacidade de influenciar a vida social através, nomeadamente, da opinião pública, pela importância social ou status que ocupam na hierarquia social.

  • As elites, ao constituírem um elemento importante de mudança, assumem um papel dinâmico nas alterações sociais ao nível:

      • da exemplaridade

      • da definição de novas situações culturais

      • da tomada de decisões.


Movimentos Sociais  - organizações de alguma forma estruturadas com vista à defesa e promoção de certos objectivos e agindo, por vezes, como grupos de pressão junto dos órgãos de poder.


  • Pela massa humana que mobilizam e pela força reivindicativa de que dispõem, constituem-se como importantes elementos a ter em conta nas sociedades actuais, desempenhando um papel relevante no processo de mudança social e no dia-a-dia de uma sociedade.

  • Os movimentos sociais não surgem «do nada», antes resultam de condições sociais facilitadoras para as quais muito contribui o descontentamento dos cidadãos, relativamente à ordem social ou a alguns aspectos dessa ordem.

  • Pré-condições para o aparecimento de movimentos sociais e que favorecem a adesão aos mesmos:

    1. Descontentamento social decorrente:

      • da provação de uns grupos relativamente a outros

      • da percepção de injustiça dos grupos desfavorecidos

      • da incoerência dos status que a mesma pessoa ou grupo tem na sociedade.

    2. Existência de um bloqueio estrutural na sociedade que impede a eliminação das causas do descontentamento.

    3. Interacção dos descontentes no sentido de passarem à acção.

    4. Expectativa de que a acção concertada entre as partes tenha eficácia.

    5. Ideologia partilhada por todos os descontentes que não só justifica a sua acção como a sustenta.

  • Os movimentos sociais são altamente dinâmicos e, apesar da estruturação que apresentam, são de duração incerta.

  • Tipos de movimentos sociais:

      • Movimentos Migratórios (ex: judeus antes da constituição do estado de Israel)

      • Movimentos Expressivos – movimentos sociais de grupos que, não conseguindo alterar a realidade, alteram as suas reacções face a essa realidade (ex: seitas).

      • Movimentos Utópicos – pretendem criar uma sociedade ideal para os seus seguidores (ex: movimento hippie)

      • Movimentos Reformistas – pretendem introduzir ajustamentos aos modelos sociais vigentes, como os movimentos de defesa dos direitos das minorias (movimento gay).

      • Movimentos Revolucionários – são movimentos tendentes a mudanças profundas na sociedade (ex: P. Comunista e Berloque)

      • Movimentos de Resistência – são movimentos tendentes a travar a mudança operada na sociedade (ex: movimento anti-aborto)


A Extensão e o Ritmo da Mudança/Resistência e Aceitação

  • As alterações conhecidas por uma cultura têm sempre de enfrentar a resistência dessa mesma cultura, condicionando, assim, a profundidade, rapidez e extensão da mudança.

  • Mudanças evolutivas – mudanças visíveis a longo prazo que ocorrem naturalmente pois correspondem a certos domínios da acção social que foram evoluindo gradualmente no tempo, por adaptação progressiva a novas situações, originando novos valores e novos modelos de comportamento.

  • Mudanças Impostas – transformações bruscas e rápidas que acarretam a transformação do próprio sistema.

      • Decorre ao mesmo tempo que a evolução, ocorrendo rapidamente e sendo os seus efeitos visíveis a longo prazo.

      • Impõem-se ao sistema que é obrigado a modificar-se, aceitando-as, independentemente das resistências que a ela o sistema contrapõem.

      • Operam verdadeiras rupturas no tecido sociocultural e resultam da incapacidade de adaptação evolutiva do mesmo, em tempo útil, às pressões de mudança a que é submetido.

  • Por norma, as mudanças sociais evolutivas, lentas e progressivas, são aceites mais facilmente, por não introduzirem incertezas, angústias ou anomia; pelo contrário, as mudanças sociais impostas, por serem bruscas, causam uma forte resistência.

  • Contrariamente ao que parece ser norma, mudanças há que acontecem a um ritmo rápido e sem que encontrem fortes resistências. - Tudo depende do tipo de mudança e das consequências que ela pode acarretar.

  • Se a mudança vier a responder a algumas das carências sentidas pela colectividade, ela far-se-à rapidamente e sem grandes resistências. Pelo contrário, mudanças que questionam a própria ordem e estrutura social deparam com fortes obstáculos.

  • A aceitação da mudança dependerá do facto de pôr em perigo os direitos adquiridos. Os custos sociais são, pois, factor condicionante da aceitação da mudança.




Consequências da Mudança


  1. Consequências Culturais: a aculturação


Aculturação – processo de mutação cultural, concretizado pela aquisição de elementos materiais e espirituais de uma cultura por outra, resultante do contacto entre os povos.

    • Resulta de processos de intercâmbio comercial, científico, técnico e artístico.

    • O processo de aculturação nem sempre se faz de forma pacífica, pois que do contacto entre os povos nem sempre resultou o estabelecimento de relações amigáveis.

    • Aculturação por assimilação – verifica-se entre os povos que estão em contacto permanente, sem que qualquer cultura exerça sobre a outra um processo de dominação.

      • Cada cultura apreende livremente os traços materiais e espirituais da outra.

      • Factores determinantes: actividade comercial e desenvolvimento dos meios de comunicação e informação.

    • Aculturação por destruição – a aculturação não é um processo livremente aceite pelas duas culturas, antes funciona de forma quase unilateral: a cultura do povo conquistador impõe-se à cultura do povo dominado, que se vê, assim, despojado dos elementos culturais que a sua vida social forjou.

      • Resulta do encontro de culturas em consequência de uma conquista militar ou de dominação política.

      • Mesmo neste processo de aculturação acontece mistura cultural, isto é, a própria cultura dominante irá assimilar, ainda que mais lentamente, elementos da cultura do povo dominado.


  1. Consequências económico-sociais

    • Novas tecnologias são sempre factores de desestabilização. Geralmente associadas à criação de mão-de-obra excedentária, as novas tecnologias são, usualmente, mal recebidas, sobretudo pela população trabalhadora. - A adaptação à nova situação, até se atingir o novo ponto de equilíbrio, é sempre dolorosa.

    • A desadaptação aos modelos vigentes pode, inclusive, levar os indivíduos ao suicídio, por não encontrarem neles modelos de referência.

    • Benefícios sociais da modernização:

      • aumentos de produtividade e de produção

      • possibilidade de libertar o trabalhador de tarefas rotineiras e enfadonhas que qualquer máquina pode fazer

      • aumento dos tempos livres

      • realização profissional e pessoal do indivíduo

      • aparecimento de novos papéis e estatutos sociais

      • mobilidade social

      • aumentos de rendimentos, resultantes do acréscimo da produção

      • participação dos indivíduos em actividades mais ligadas aos seus interesses

    • O sucesso da mudança está largamente dependente das estratégias sociais utilizadas para a sua aceitação.


  1. Outras Consequências Sociais

As mudanças ocorridas nas sociedades actuais, dado o acesso democratizado aos mass media, tendem a produzir comportamentos padronizados veiculados pelos modelos transmitidos a que todos têm acesso.

 Há, todavia, quem argumente que os mass media, pela diversidade que apresentam, permitem, pelo contrário, a desmassificação cultural.


Os mass media contribuem para a diversificação de modelos culturais ou para a massificação das sociedades?



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Referências Bibliográficas - IDES
 

     

  • Beitone, Alain, Dollo, Christine, Guidoni, Jean-Pierre, Legardez, Alain, Diccionário de Ciências Económicas (1ªedição), Porto, «Edições ASA», Setembro de 1997.

  • Bonaglia, Federico, Goldstein, Andrea, Globalização e Desenvolvimento, Col. Sociedade Global nº1, Lisboa, «Editorial Presença», Janeiro 2006.

  • Castro, Rosa, Monteiro, Carlos, Guias de Estudo – IDES 12ºano, Porto, «Porto Editora», 2003.

  • Fernandes, José Manuel, JANUS 2005 – anuário de relações exteriores, Lisboa, «Universidade Autónoma de Lisboa» e «Público», Dezembro de 2004. (www.janusonline.pt)

  • Human Development Report 2004, UNDP, 2004.

  •  Lassale, Jean-Pierre, Introdução à Política (4ªedição), Colecção Universidade Moderna, vol.1, Lisboa, «Publicações Dom Quixote», 1974.

  • Lemos, Jorge, Silva, Elsa, Introdução ao Desenvolvimento Económico e Social – 12ºano, Lisboa, «Plátano Editora», Julho 2001.

  • Lluch, Ernest, O Desenvolvimento Econômico, Biblioteca Salvat de Grandes temas, vol.1, Rio de Janeiro, «Salvat Editora», 1979.

  • Martínez, Pedro Mário Soares, Economia Política (5ªedição), Coimbra, «Livraria Almedina», 1991.

  • Nordhaus, William D., Samuelson, Paul A., Economia (14ªedição), Lisboa, «McGraw-Hill», 1993.
  • Oliveira, Leonel de (Direcção editorial), Nova Enciclopédia Larousse, Mem Martins, «Círculo de Leitores», 1997.

  • Pereira, João Manuel Esteves, Economia Política (2ªedição), Abrantes, «Plátano Editora», 1975.
  • Soares, Fernando Luso, A Comunidade Internacional – Introdução à Política 2 (1ªedição), Colecção Teoria e Prática, vol 11, Lisboa, «Diabril Editora», 1976.
  • Outros...




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