Sábado, 22 de Abril de 2006
As inovações revolucionárias na criação literária e artística - século XX
 
1. O Carácter Revolucionário das Inovações


A revolução operada no campo da criação literária e artística foi levada a cabo por artistas e homens das Letras que, aceitando a relatividade do conhecimento e as teses psicanalíticas de Freud, se constituem como movimentos de vanguarda, ao proporem profundas mudanças nas concepções e práticas artísticas e literárias.

Modernista foi o nome atribuído a este movimento estético de vanguarda.


Modernismo: termo geral atribuído às várias correntes Avant-Garde da arte e arquitectura, que dominaram a cultura Ocidental, ao longo de quase todo o séc.XX.

 

Características das mudanças modernistas:

  • Tendência dos protagonistas para se organizarem em movimentos e grupos homogéneos subordinados às mesmas convicções ideológicas e estéticas divulgadas através de manifestos e exposições;

  • Proliferação de novos estilos, novas tendências tão originais quão ousadas, de que resulta o desmantelamento da velha ordem herdada do classicismo burguês renascentista e a construção de um novo universo plástico e de uma nova produção literária;

  • Construção de um novo universo plástico através da exaltação da cor e da reacção contra a noção de perspectiva e contra a visão intelectualista do espaço;

  • Rejeição da ligação imediata entre a obra de arte e a Natureza através da capacidade criadora do artista;

  • Recurso a novos temas e a novas técnicas através das quais o criador procura expressar as suas emoções e formas de entender a realidade de que resulta a confusão entre elementos objectivos e construções puramente subjectivas;

  • Mistura, por vezes de forma algo confusa, de motivos materialistas e espiritualistas, técnico-científicos e alegórico-poéticos;

  • Democratização da arte pela afirmação das chamadas artes menores aplicadas à produção de objectos de utilidade quotidiana;

  • Busca de uma funcionalidade das produções artísticas que perdem o seu carácter de culto elitista e saem dos grandes salões e museus para novos espaços onde desempenham novas funções decorativas ou utilitárias;

  • Nova dimensão social da literatura que trata e denuncia, por vezes de forma militante, os problemas vividos por uma sociedade em crise;

  • Aspiração a um estilo e a uma linguagem internacional ou europeia.

 


2. As Inovações na Pintura


As Primeiras Experiências de Vanguarda


A projecção da angústia e da revolta são a principal inovação da arte expressionista


Expressionismo:

Percursores: Van Gogh, Edward Munch (O Grito) e James Ensor.

Contexto Intelectual: movimento artístico, nascido na primeira década do séc. XX, na Alemanha, com o grupo Die Brücke (“A Ponte”), constituído por jovens pintores libertários fortemente críticos do ambiente burguês de que pretendiam afastar-se, preferindo afirmar-se como ponte de união de todos os elementos agitadores e revolucionários.

Surgiu como reacção ao academismo e ao impressionismo (corrente pictórica que marcou os finais do século XIX – Manet, Monet, Degas e Cézanne), cuja apropriação pela generalidade do público o havia banalizado e tornado numa moda, impossibilitando-lhe a inovação.

Mensagem:

  • Foram apelidados de expressionistas porque, nas suas produções artísticas, repudiaram a materialização de impressões objectivas e afirmaram a pintura como expressão de sentimentos, energias e tensões inerentes à vida humana e à aventura da existência, normalmente geradas na angústia e nos dramas interiores vividos pelo Homem.

  • Visaram denunciar o mal-estar vivido nas primeiras décadas do século, sobretudo nas classes operárias oprimidas e exploradas, provocado pelo ambiente de tensão política, pelos desajustes sociais e pela crescente massificação e consequente desumanização das cidades e do trabalho.

  • Nas pinturas expressionistas alemãs predominam cenas de rua e retratos onde sobressai o ser humano, dando-lhe uma significação que o ultrapassa, mostrando com nitidez a terrível solidão do homem na cidade moderna.

  • Temáticas: prostituição, miséria, angústia, medo.

Estrutura Formal: produziram composições simples ( simplificação das linhas, redução das figuras e esquemas de cores, acentuar dos traços), cujos temas eram pouco importantes, mas caracterizados pela deformação intencional das imagens visuais (de forma a viverem o drama de cada ser humano e da sociedade) através do recurso à pincelada larga e a uma vasta gama cromática marcada pela violência das cores.

Principais praticantes:

  • Fundadores do grupo Die Brücke: Kirchner (Rua de Dresden e Busto de Mulher com Chapéu), Heckel, Bleyel e Schmidt-Rottluf.

  • Pertencentes ao grupo Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul): Kadinski, Franz Marc e August Macke. Este grupo caminhou para a abstracção, tendo o seu fundador, Kadinsky, feito o primeiro quadro abstracto em 1910.

  • Chabaud, Paul Klee, Otto Dix, Emil Nold, Max Pechstein e Klimt. 

Fauvismo:

Movimento de tendência expressionista, radicando a grande diferença entre o expressionismo alemão e o fauvismo francês no facto de os pintores franceses se dedicarem à pintura pura, recusando penetrar em questões profundas de índole psíquica ou social - «O que eu aspiro é a uma arte de equilíbrio, de pureza, de tranquilidade, ausente de inquietações ou preocupações, que seja para todos, desde os intelectuais aos homens de negócios, um lenitivo, um calmante cerebral, algo análogo a um bom cadeirão que descanse as fadigas físicas» (Henri Matisse).

Influências: Cézanne (pela autonomia em relação à realidade), Van Gogh (pela utilização de cores como forma de expressão) e Gaugin (pelo antinaturalismo, planificação das formas e contornos a negro das figuras).

Contexto intelectual: Afirma-se em em 1905, altura em que um grupo de pintores franceses organiza, em Paris, no Salão de Outono, uma exposição das suas obras. A novidade artística proposta pelo vanguardismo dos autores expostos provocou fortes reacções dos críticos apreciadores da pintura tradicional que, pejorativamente, apelidaram os organizadores da exposição de fauves (feras) e fauves passaram a ser também as suas obras quando comparadas com as obras inspiradas no racionalismo clássico. Então, num acto de provocação os organizadores da exposição adoptaram esta denominação para o seu movimento.

Mensagem: O Fauvismo não introduziu nas suas obras qualquer tipo de mensagem social ou política – apenas se procura produzir (transmitir) alegria ou tristeza.

Estrutura formal:

  • Recusa radical dos convencionalismos (desenho em pormenor..) patente numa maior agressividade na exaltação das formas;

  • Distorção dos volumes;

  • Recurso à técnica do claro-escuro e realce dos contornos a negro;

  • Utilização das cores de forma anárquica e recurso a cores fortes que são aplicadas sobre telas em tons puros, deixando bem vincadas as emoções dos pintores.

Principais praticantes: Roualt (Diante do Espelho), Henri Matisse (A Cigana), André Derain (A Ponte de Westminster), Albert Marquet, Maurice Vlaminck (A bailarina do Rat Mort), Braque (que evoluirá para o cubismo).

A Radicalização das Experiências de Vanguarda


O desmantelamento da perspectiva e a visão intelectualista do espaço é a principal característica das novas tendências pictóricas que entretanto se vão afirmando.


O Cubismo:


Influências: Cézanne (pela anélise das formas e dos planos – geometrismo) principalmente na sua fase final, mais simples e quase abstracta, e a arte da escultura africana (de formas simplificadas e duras).

Contexto Intelectual: O movimento cubista é contemporâneo das correntes expressionista, onde também começa por se inserir com novas propostas formais, opondo-se mais tarde a estas, em especial ao fauvismo. Nasceu em Paris, em 1907 com o quadro de Picasso Les Demoiselles d’Avignon e confirma-se em 1908, no Salão de Outono, no decurso da exposição organizada por Georges Braque. A expressão nasceu da referência que Henri Matisse fez a uma obra de Braque, sobre as formas que este reduzia a «pequenos cubinhos».

Fases do Cubismo:

  • O cubismo dividiu-se em três fases:

  • Cezzanniana” (pela influência do pintor) – as obras são constituídas por paisagens e casarios, numa constante geometrização das formas;

  • Analítica – definida como uma visão simultânea e multifacetada dos vários aspectos (ângulos) do motivo tratado, como se este estivesse quebrado ou fosse explodir – as cores eram sóbrias, a composição bastante complexa e as temáticas mais comuns foram a as naturezas mortas e os objectos quotidianos;

  • Sintética – em que os autores introduzem nas suas telas elementos estranhos à pintura (madeira, tecido, vidros, papéis...) – fase da pintura-objecto, que se desligava da natureza e tomava formas cada vez mais abstractas.

  • Foi Pablo Picasso quem mais se destacou na evolução do cubismo. Audacioso na abstracção, destrói a realidade, substituindo-a por outra inteiramente subjectiva, totalmente sua. Os objectos que aparecem nas telas jamais existiram antes: são fruto de uma criação.

Mensagem e Estrutura Formal:

  • Combinando os diferentes planos em que o objecto pode ser observado, conseguem desmantelar por completo a perspectiva, a regra máxima da representação clássica, e propor uma visão intelectualista do espaço.

  • Daí resulta a total separação entre a representação figurativa dos objectos e a sua realidade natural, isto é, os quadros cubistas constituem unidades autónomas sem qualquer ligação com a Natureza.

  • As estruturas são predeterminadas e os objectos figurados são pura criação subjectiva, o que nos leva a considerar o cubismo, pelo menos na sua fase analítica, um movimento percursor do abstraccionismo.

  • Orientação das suas tendências pictóricas para o tratamento da forma dos objectos, que se assume como uma prioridade em relação à cor, através da decomposição das imagens em planos, segundo os vários ângulos de visão, reduzindo-os a uma articulação dinâmica de pequenos sólidos geométricos (cones, cilindros, cubos e outros poliedros), considerados as formas primárias constituintes dos objectos, e eliminando todo o pormenor acidental e elementos acessórios.

Principais praticantes: Pablo Picasso (Les Demoiselles d’Avignon, Guernica), Georges Braque (Les Portugais), Fernand Léger, Robert Delaunay, Albert Gleizes, Henri Laurius, Francis Picabia e Marcel Duchamp.


Futurismo:


Contexto Intelectual:

  • Paralelamente e em oposição ao cubismo, desenvolveu-se o movimento futurista, fundado por escritores e artistas italianos radicados em Paris.

  • Nasceu a partir do Manifesto Futurista, assinado por Filippo Marinetti, publicado no jornal parisiense Le Figaro, em 1909, no qual o seu autor propunha a aniquilação definitiva de toda e qualquer forma de tradição, a destruição das grandes obras artísticas e literárias do passado, anunciando uma pintura e uma literatura mais condizentes com a era das máquinas, do movimento e do futuro.

  • Foi consideravelmente mais abrangente que os anteriores movimentos, pois estendeu-se a todas as produções intelectuais – literatura, música (Russolo e Pratelo) e Arquitectura (Antonio Saint’Ellia).

Mensagem:

  • Desenvolveram uma batalha sem tréguas contra as formas culturais tradicionais de inspiração burguesa, repudiando de forma absoluta os valores do passado e reivindicando exclusivamente o culto do futuro. - «O tempo e o espaço morreram ontem.» (F. Marinetti).

  • Propuseram a destruição de tudo o que era clássico, tradicional, como museus, academias, escolas, de onde transparecesse a mais elementar manifestação de servilismo a normas.

  • Cultivaram temáticas dominadas pelos elementos novos do mundo moderno (exaltação da civilização industrial e moderna) e pela dinâmica do movimento, procurando representar o ritmo e o desenvolvimento mecanizado da vida moderna.

  • Na recusa da ordem estabelecida, os futuristas italianos repudiam a inteligência e exaltam a intuição, cultivam a audácia e a provocação (Os elementos essenciais da nossa arte serão a coragem, a ousadia e a revolta.» F. Marinetti), chegam mesmo a elogiar a agressividade e a violência da guerra, o militarismo, o patriotismo, assumem posições nacionalistas, acabando por ser considerados percursores da ideologia fascista.

Estrutura Formal:

  • Apesar de surgir como reacção ao cubismo, baseava-se na sua técnica. Para exprimirem a sensação de dinamismo, recorrem à decomposição da cor e da intensidade da luz e à repetição de imagens e fragmentação dos objectos em vários planos e repetição da sobreposição desses planos.

  • Utilizando cores vivas, produzem imagens complexas de onde sobressaem raios que se intersectam perpendicular ou obliquamente, evocando turbilhões de ar provocados pela velocidade das máquinas.

Principais praticantes: Filippo Marinetti, Umberto Boccioni (Dinamismo de um Ciclista), Giacomo Balla (Mercúrio Passa Diante do Sol), Gino Severini (Dançarina em Azul), Marcel Duchamp (Nu descendant un escalier), Carlo Carrá, e Luigi Russolo.



Abstraccionismo:


Contexto Intelectual:

  • Teve origem nas pinturas de Kadinsky (líder do Caveiro Azul) realizadas em Munique, a partir de 1912.

  • Constitui o culminar da pintura liberta de todas as regras tradicionais. O abstraccionismo foi, assim, como que o ponto de chegada da evolução que a pintura vinha sofrendo desde o impressionismo até ao cubismo e futurismo (a invenção da fotografia tinha libertado o pintor do seu dever social de registar os grandes e pequenos acontecimentos).

  • Embora sendo, até certo ponto, uma continuação do cubismo e do futurismo, o abstraccionismo não é, porém, fruto apenas da evolução de exercícios meramente formais ou técnicos. Os abstraccionistas pretendem impregnar os seus trabalhos de um novo conteúdo, que transcenda as aparências do quotidiano, descobrindo nelas uma realidade oculta e mais profunda.

Mensagem:

  • Considerava Kadinsky que a desintegração do átomo significava a desintegração do Mundo e, por conseguinte, não mais seria possível qualquer representação figurativa. A pintura deveria retratar um estado de espírito e não ser a mera representação dos objectos.

  • O objecto desaparece totalmente, resultando uma pintura que mais não é do que um conjunto, harmonioso ou não, de linhas, de cores e de formas que, aparentemente, nada representam, a não ser a emoção ou o estado de espírito do seu criador.

  • Ao representarem as suas emoções, os abstraccionistas colocam na tela o seu mundo interior, uma realidade subjectiva, oculta e mais profunda, prenunciando já a corrente surrealista. A arte deve ser analisada sob o ponto de vista da intenção do artista e não do que está representado – a Arte torna-se acima de tudo, um meio de expressão do Homem.

  • Muitos pintores abstraccionistas cultivavam uma relação analógica constante com a música.

Estrutura Formal e Correntes:

  • Divide-se em duas correntes:

  • Abstraccionismo lírico – cuja dimensão é expressa na cor, é intuitiva, instintiva e inconsciente, podendo proporcionar múltiplas leituras e ser quase metafísica;

  • Abstraccionismo geométrico – no qual qualquer noção de subjectividade é condenada e onde se exige o emprego de formas rigorosamente geométricas e abstractas, utilizando apenas cores puras (amarelo, azul e vermelho) e cores neutralizantes (preto, cinzento, branco) – o seu código era limitado a um certo número de formas que configuravam, no entanto, um número ilimitado de mensagens.

  • Libertação total da pintura da figuração.

  • A cor e o traço, livremente utilizados, são as principais características da arte abstracta.

  • O produto final resulta de um complexo jogo de cores e de uma articulação de linhas, executadas em total liberdade pelos abstraccionistas líricos, ou geometricamente equilibradas.

Principais Praticantes:

  • Abstraccionismo lírico - Vassili Kadinsky (Impressão Domingo e Amarelo, Vermelho, Azul), Paul Klee.

  • Abstraccionismo geométrico - Piet Mondrian (Composição nº10: o Molhe e o Oceano), Theo Van Doesburg (Composição: A Vaca).

  • Kasimir Malevitch, Franz Marc, Tàpies, Jean Arp e Maria Helena Vieira da Silva.


 

A Revolução Surrealista


No prosseguimento das experiências de vanguarda, o movimento surrealista provocou uma verdadeira revolução nas concepções estéticas, respectivas motivações e técnicas. Constituiu, entre todas as correntes artísticas e literárias, aquela que mais polémica causou e continua a causar nos meios intelectuais que se debruçam sobre a sua análise.


Dadaísmo:

Contexto Intelectual:

  • O movimento dada teve a sua origem em Zurique, Suiça, a partir de 1915, surgindo de um movimento de alguns pintores dentro do cubismo que, opondo-se à linha evolutiva desta corrente, estavam mais dispostos a ironizar e a desmistificar todos os valores da cultura. Assumidamente niilistas, negavam a realidade substancial, a verdade, as normas morais e cívicas e toda a autoridade política. Havia que negar os conceitos de arte e de objectos e técnicas artísticas - «a autêntica arte seria a antiarte» e «arte é tudo aquilo que o artista a firma como tal».

  • O próprio nome que adoptaram não tem qualquer significado. Foi escolhido ao acaso como expressam no seu manifesto publicado em 1918: «Dada não significa nada... é uma insígnia de abstracção».


Mensagem:

  • Negação de todos os conceitos de arte e de técnicas artísticas, vulgarização da criação artística, pela dessacralização das técnicas e dos objectos artísticos.

  • Optaram pela subversão dos valores através de práticas propositadamente provocatórias que passavam pela obscenidade, pelo insulto e pela agressão.

  • O grande objectivo do movimento era suscitar reacções negativvas em quem ouvia os seus discursos, lia os seus textos ou analisava a sua produção plástica.

Estrutura Formal:

  • Afirmou-se através de sessões espetaculares marcadas pela desordem e pelo barulho. Os seus manifestos não obedeciam a qualquer regra formal ou gramatical, denunciando influências futuristas. Apresentavam textos sem qualquer nexo, normalmente constituídos por excertos tirados de várias obras, em diversas línguas. Misturavam vários tipos de letras e várias cores, com o objectivo de atrair a atenção, usavam uma linguagem agressiva, irónica, propositadamente ambígua e enigmática, para o que recorriam à subversão do sentido das palavras e das ideias.

  • Reproduziam obras clássicas intencionalmente subvertivas e inventaram os ready-made, prática que consistia na elevação de um objecto comum à categoria de obra de arte, desmistificando por completo a produção artística. Um exemplo famoso foi a transformação de um urinol em chafariz por Duchamp, numa clara manifestação de antiarte.

  • Usaram objectos não artísticos, como pregos ou placas de metal, em obras de arte.

Principais praticantes: Marcel Duchamp, Francis Picabia, André Breton, Apolinnaire, Hans Arp, Max Ernst (O Antipapa e Olho do Silêncio) (que evoluirá para o surrealismo), Gross e Man Ray.



Surrealismo:


Contexto Histórico: Esta corrente estética nasceu também em Zurique, com a ruptura, em 1922, de André Breton com o movimento dada, mas desenvolveu-se em Paris, a partir da publicação do I Manifesto Surrealista pelo mesmo Breton. O Surrealismo (teoria do irracional e do inconsciente na arte) pode então considerar-se uma sequência do movimento dada.

Mensagem:

  • Estreita ligação à doutrina psicanalítica de Freud. Negando a razão na superintendência dos comportamentos humanos, os surrealistas afirmam que o pensamento é automaticamente coordenado pelo inconsciente.

  • Daí que as obras surrealistas sejam dominadas pela expressão da interioridade nos seus níveis mais recônditos do inconsciente, considerada a realidade mais autêntica.

  • Através da destruição de todos os estereótipos e convencionalismos, as obras surrealistas tratam o irracional e o inconsciente, o sonho e o desejo, patentes em mensagens oníricas e em referências sensuais, muitas vezes imbuídas de forte carga erótica.

  • Manutenção da rebeldia e contestação de toda a tradição, tal como já o tinham feito os dadaístas, mas assunção de uma atitude mais optimistas face à evolução da humanidade. Os surrealistas aproximaram-se dos movimentos políticos de esquerda e do comunismo e pretenderam partir da base sólida da psicanálise.

Estrutura Formal e Evolução do Movimento:

  • Nota-se no movimento surrealista a evolução para duas tendências:

  • Surrealismo Figurativo – destruíam os temas convencionais da pintura mas preservavam um certo figurativismo. É possível identificar certos objectos, apesar de muito deformados e totalmente desinseridos de qualquer realidade concreta.

  • Surrealismo Simbolista – de carácter metafísico.

  • Recriação de um mundo imaginário repleto de cenas grotescas e insólitas próprias do sonho e da alucinação.

  • Inovação nas temáticas, técnicas e formas de abordar a arte.

Principais Praticantes:

  • Surrealistas figurativos – Salvador Dali (A persistência da Memória; Slave Market; egg), Marc Chagal (Eu e a Aldeia; White Crucification), René Magritte.

  • Surrealistas abstractos – Joan Miró (Carnaval de Arlequim; Pessoa Atirando Pedra), Giorgio de Chirico (A Conquista do Filósofo) e Yves Tanguy.


Nota: A pintura sempre liderou as artes plásticas, sendo a partir dela que acontecem, e continuam a acontecer, todas as renovações da arte em geral. (escultura vide pg 60/61 do manual)


 

As Inovações na Literatura


    • O Existencialismo

      • Na transição do século XIX para o século XX, o realismo naturalista marcava ainda o panorama literário: se os realistas descreviam as desigualdades da sociedade contemporânea, os naturalistas retratavam a Natureza de um modo quase «fotográfico».

      • A Primeira Guerra Mundial trouxe novas preocupações aos escritores: a angústia pela condição humana, as interrogações sobre os valores da civilização ocidental, a frustração e o desencanto. A conjuntura de crise provocada pela guerra e o militarismo agressivo dos regimes totalitários transformaram o homem num ser profundamente humilhado, angustiado com o problema da luta pela sobrevivência que inexoravelmente acabaria com a morte. Daí que os primeiros anos do pós-guerra sejam marcados por temáticas psicológicas de inspiração freudiana.


      • Na filosofia salientou-se o existencialismo de Jean-Paule Sartre, que se debate com a angústia da existência, concretamente com o paradoxo existente entre a vida e a morte. Sartre vive angustiado com a incapacidade de explicar a contradição fundamental da existência humana: à liberdade reconhecida aos indivíduos de poderem definir o seu destino contrapõe-se o fim incontornável que é a morte (O Homem está condenado a ser livre»). Para que serve então a liberdade?

      • No pós-Segunda Guerra, a influência de Sartre tornou-se muito poderosa, insistindo na relatividade de toda a acção humana. Albert Camus (em O Estrangeiro e o Mito de Sísifo) tentou pregar uma nova ética: o mundo e a vida humana são indubitavelmente absurdos, mas é possível acreditar num pequeno número de valores que fazem com que esta vida frágil seja possível e aceitável (A Peste, 1947).



      • No campo literário, sob um aparente optimismo e despreocupação de alguns, manifestou-se uma inquietude e um pessimismo que caracterizaram a época, que se traduziu, por vezes, numa vontade de desfrutar o presente. De um modo geral, estes autores reflectiam o pessimismo de uma sociedade decadente. Entre os vencidos, este pessimismo era mais profundo, manifestando-se com maior rigor na reacção contra a divinização do Estado, o sentimento da miséria humana, fruto de forças desumanas e todo-poderosas (vide Guias de Estudo pg.125).

      • Principais Escritores e Obras: Aldous Huxley (O Admirável Mundo Novo), André Guide (Os Falsos Moedeiros), Marcel Proust (Em Busca do Mundo Perdido), James Joyce (Ulisses), Ernest Hemingway (Por Quem os Sinos Dobram e O Velho e o Mar).



    • O Neo-realismo ou Realismo Social

      • As temáticas psicológicas ligadas à vida interior deixaram de interessar a alguns escritores dos anos 30 – uma nova geração literária voltará costas à História, deixando de interessar-se pela psicologia e pela vida interior. A depressão económica gerada nos excessos do capitalismo liberal proporciona-lhes novas motivações e novas temáticas – a realidade material da condição humana. São os tempos do neo-realismo ou realismo social.

      • Os assuntos relacionados com as condições socio-económicas dos trabalhadores e a análise da luta de classes, tratados numa linha ideológica marxista, visando denunciar o fenómeno da exploração capitalista do trabalho, constituem temas privilegiados pelos autores neo-realistas. Os criadores assumem uma atitude de militância e as suas obras, de tese, denunciam a exploração capitalista do trabalho. Denunciam nos seus romances o mal humano, representado pelo burguês capitalista, e a verdade histórica e a justiça, representada pelo proletariado.

      • Com a ascensão dos regimes totalitários e com os problemas políticos gerados pela eclosão da Segunda Guerra Mundial, acentua-se o carácter social da nova produção literária que ganha também importância política na denúncia romanceada das agressões à democracia e ao socialismo ou no apoio aos respectivos regimes.

      • Na Alemanha, a literatura reflecte os problemas sociais mas compromete-se com a nova geração cujas novelas, testemunhos da guerra e do pós-guerra constituem uma «literatura de ruínas». No teatro, esta corrente foi mais notoriamente representada por Bertold Brecht.

      • Principais Escritores e Obras: John Steinbeck (As Vinhas da Ira), André Malraux (Condição Humana), Thomas Mann (José e os seus Irmãos). Máximo Gorky, Boris Pasternack, Bertold Brecht, Samuel Beckett, Ionescu, Alberto Morávia, Pirandello, John dos Passos, Jorge Amado.







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publicado por Ana Silva Martins às 16:40
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