Sábado, 22 de Abril de 2006
O Esgotamento dos Recursos Como Limite ao Crescimento Económico

O Esgotamento dos recursos e a necessidade de gestão do crescimento demográfico


A Terra é só uma, mas a multiplicidade dos sistemas/organismos que a utilizam não o são.


Os seres humanos individualmente ou em comunidade, numa região ou país lutam pela sobrevivência e pela prosperidade sem cuidar muito do que daí possa resultar para os outros. As consequências são desastrosas e globais e não dependem do grau de desenvolvimento.

Nos países industrializados, os elevados padrões de consumo estimulam a utilização dos recursos não renováveis e favorecem o desperdício. Nos países em desenvolvimento, com dívidas externas asfixiantes, a luta pela sobrevivência determina níveis de exploração dos recursos insustentáveis no futuro.

A crescente internacionalização da economia alarga a dimensão das consequências do funcionamento do sistema a todo o planeta. Os efeitos ambientais globalizam-se; a economia e a ecologia não podem dissociar-se.

Face à delapidação dos recursos no nosso planeta, teremos que crescer a um ritmo mais lento e até inverter as tendências de crescimento demográfico, de modo a reduzir as necessidades de consumo sem prejudicar o processo de desenvolvimento.

A sustentabilidade do desenvolvimento está intimamente relacionada com a dinâmica do crescimento demográfico.

Se é verdade que a redução das taxas actuais de crescimento populacional nos países em desenvolvimento é um imperativo ao desenvolvimento sustentável, também não é menos verdade que qualquer indivíduo que viva num país industrializado representa um encargo maior para a capacidade da Terra do que qualquer cidadão de um país mais pobre.

As ameaças à sustentabilidade dos recursos tanto vêm das desigualdades de acesso a esses mesmos recursos, como da forma como são usados, ou simplesmente do número de pessoas que os utilizam. Os padrões de consumo são tão importantes como o número de consumidores para a conservação dos recursos.

O equilíbrio entre a dimensão da população e os recursos disponíveis, a taxa de crescimento demográfico e a capacidade da economia em satisfazer as necessidades básicas da população, sem pôr em risco as gerações futuras serão com certeza o grande desafio das políticas de desenvolvimento nos próximos anos.

O caminho a percorrer rumo à sustentabilidade não é fácil, pois terá obviamente que passar por um conjunto de acções diversificadas:

    • limitar o crescimento demográfico;

    • controlar o impacto deste crescimento sobre os recursos;

    • aumentar a eficiência dos recursos (menos desperdício, menor consumo, maior durabilidade);

    • elevar o potencial humano (educação e formação);

    • melhorar os sistemas de segurança social.



A gestão dos recursos e as alternativas ao seu esgotamento


Biotecnologia


        Biotecnologia pode representar de alguma maneira a evolução da ciência e da técnica postas ao serviço da defesa e boa gestão dos recursos e do ambiente.


Pode ser aplicada na:

    • Silvicultura – maior resistência das árvores às doenças, optimização dos rendimentos, menor recurso aos adubos.

                              Benefícios na agricultura:

        • luta contra a erosão dos solos

        • tolerância vegetal às intempéries

        • criação de espécies resistentes aos parasitas

        • melhoria do valor nutritivo dos vegetais

        • luta contra a putrefacção dos frutos e legumes

        • aumento dos rendimentos agrícolas e da fertilidade dos solos

        • melhoria do processo de fotossíntese

    • Criação de gado – impulso das terapias hormonais, aperfeiçoamento de novas vacinas, novas técnicas de inseminação artificial.

    • Domesticação de microorganismos – melhorando a eficiência do processo de fermentação com aplicações na produção agro-alimentar (queijo, iogurte, cerveja), plásticos biodegradáveis, energis a partir de resíduos de matérias-primas e de lixos diversos.

    • Saúde – permitindo a produção da insulina e da hormona do crescimento por crescimento por bactérias previamente programadas em laboratório.

A biotecnologia permite reduzir os níveis de poluição dos processos de fabrico, aumentando o número e a intensidade de reacções químicas idênticas às da natureza.

O aproveitamento da intelegência artificial tem permitido avanços significativos da engenharia genética e molecular.

Consequências da produção e comercialização de plantas trangénicas (sementes sintetizadas em laboratório):

Positivas:

    • Aumento da produtividade agrícola, devido ao crescimento mais rápido dos produtos trangénicos e à redução dos custos do processo produtivo;

    • Diminuição da utilização de pesticidas e herbicidas devido à maior resistência a doenças e pragas das plantas trangénicas;

Negativas:

    • Alterações genéticas a grande escala e a introdução de bactérias e plantas mais resistentes, estão a inibir o crescimento ou a provocar a morte de outras plantas e micro-organismos necessários ao equilíbrio dos ecossistemas naturais – redução da biodiversidade.

    • Incertezas quanto aos seus efectívos benefícios (ou será malefícios?) para os seres humanos e para o equilíbrio ecológico do planeta – nomeadamente o seu impacto nas doenças degenerativas que afectam o homem, principalmente o cancro.

    • Uma vez que se trata de plantas com códigos genéticos melhorados em laboratório e, portanto, similares, no caso de epidemias ou pragas suficientemente fortes para as afectar, poderá ocorrer a extinção em massa de determinados tipos de plantas.

    • As «superplantas» necessitam de uma maior quantidade de nutrientes provenientes do solo para os seus processos energéticos, provocando desta forma o esgotamento dos solos num período de tempo muito inferior ao normal.




Política dos 3 Erres: a Reciclagem


Os 3 Erres: Recuperar/Reduzir, Reciclar, Reutilizar.

Potencialidades e benefícios da reciclagem, atendendo ao aumento dos consumos, à escassez dos recursos e ao facto de muitos não serem renováveis:

    • maior eficiência

    • mais tempo de vida do produto

    • redução dos gastos de matérias-primas

A separação e a reciclagem dos materiais após a sua utilização constituem passos significativos na defesa do ambiente. Por um lado transforma-se um resíduo potencialmente poluente num recurso útil, por outro lado, aumenta-se consideravelmente o ciclo de vida do produto, reduzindo-se a incorporação na produção de mais matérias-primas.

Vantagens indirectas da reciclagem:

    • Constituição de empresas com o objectivo de recuperarem os lixos industriais e municipais – utilizam mão-de-obra e capital e promovem a reciclagem de resíduos sólidos industriais e urbanos.

Através de um processo complexo de triagem, compressão, obliteração, derretimento e purificação, as matérias-primas podem voltar ao ciclo produtivo.

    • Os próprios fabricantes estão a conceber produtos cuja separação final das matérias-primas é mais fácil.

    • Redução da quantidade de lixo cujo destino final seria a armazenagem em aterros sanitários ou a incineração, com consequências graves no aumento da poluição da atmosfera, dos solos e das toalhas freáticas.

A reciclagem não contribui só por si para a redução do consumo dos recursos e do desperdício verificado na sua exploração. Importa também aumentar o tempo de vida dos produtos melhorando as suas capacidades de duração e reutilização.


Utilização de energias alternativas

A utilização de energias alternativas (solar, eólica, geotérmica, das marés e das ondas, hidroelectricidade, fusão nuclear e biomassa – matéria orgânica de origem animal ou vegetal e os resíduos resultantes da transformação natural ou artificial dessa matéria) a partir de fontes renováveis, em conjunto com uma maior eficiência energética, poderão conduzir à manutenção ou até à redução dos níveis de consumo das fontes tradicionais.

As novas tecnologias permitem reduzir os custos e os gastos de energia sem prejudicar o conforto dos seres humanos e a produtividade das suas economias.

Para muitos PVD, a utilização de energias alternativas constitui, desde já, uma opção eficaz para reduzir os custos de projectos de desenvolvimento locais.

O aumento da eficiência na utilização da energia recorrendo a tecnologias novas, substituindo a energia produzida a partir dos combustíveis fósseis por energias renováveis, contribuirá para a redução das emissões de poluentes responsáveis pelo efeito de estufa. Os níveis de poluição provocados pelas energias alternativas são mais baixos que os que resultam da energia fóssil ou até nuclear.

O aumento da diversidade e eficiência de energias/recursos energéticos, conduzirá à sustentabilidade das actividades humanas e à redução dos prejuizos ambientais, diminuindo os riscos de esgotamento dos combustíveis fósseis e os níveis de emissões poluentes resultantes da sua utilização.

É evidente a necessidade de alterar os sistemas de produção tradicionais intensivos em matérias-primas, água e energia, para torná-los ecologicamente mais sustentáveis. O recurso a processos de fabrico baseados nas chamadas tecnologias limpas traz imensas vantagens.


Sistemas limpos de produção de alimentos e produtos manufacturados caracterizam-se por:

    • não contaminarem os ecossistemas ao longo de todo o processo de produção

    • preservarem a diversidade na natureza e na cultura

    • protegerem a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas necessidades


Protecção dos solos


A produção agrícola só pode ser sustentável a longo prazo se os solos mantiverem as suas capacidades produtivas.

A capacidade da Terra em produzir alimento dependerá:

    • da distribuição equitativa dos recursos pelas populações

    • da redução da expansão urbana e das áreas de pastagem (que ocupam terrenos de boa aptidão agrícola)

    • da gestão racional da água e da diminuição dos riscos de contaminação (adubos, pesticidas)

    • da utilização de sistemas de irrigação mais eficientes, que reduzam os gastos supérfluos, a hidromorfia, a compactação, a salinização e a alcalinização

    • da utilização de outras técnicas agrícolas mais adequadas

    • da preservação ou regeneração da cobertura vegetal original, de modo a proteger os solos da acção dos agentes erosivos (precipitação, vento, etc)

    • do investimento progressivo na agricultura biológica.

 


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publicado por Ana Silva Martins às 19:29
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