Sábado, 22 de Abril de 2006
Particularização dos Fenómenos de Degradação Ambiental
 
  1. As perturbações do «efeito de estufa natural»


             Efeito de Estufa - Fenómeno natural benéfico, que aquece a Terra e a torna habitável. O CO₂ capta o calor e aumenta a temperatura da Terra, como um cobertor ou, mais precisamente, como uma estufa que deixa a energia do Sol entrar mas a impede de sair.


Problema: Os gases de efeito de efeito de estufa, que estão a acumular-se exponencialmente na atmosfera, estão a armazenar excessivamente calor que de outra forma de libertaria no espaço, o que fará aumentar a temperatura da Terra acima do que seria normal noutras condições

Causas do aumento de CO₂ na atmosfera:

    • Emissões de gases resultantes de combustão dos combustíveis fósseis (indústrias, veículos automóveis)

    • Utilização de aerossóis

    • Desflorestação.

Apesar das reduções recentes verificadas em alguns gases do efeito de estufa, o aumento do gás carbónico na atmosfera continua a verificar-se, admitindo-se uma duplicação destes gases dentro de 40 anos, o que provocará um aumento de 1,5°C a 4,5°C na temperatura média do ar na baixa troposfera.

Corrente optimista: admite que a população do planeta se estabilizará nos 8,5 milhões de seres humanos, e que a biosfera possui potencialidades de auto-regeneração e de defesa imunológica capazes de reestabelecer os equilíbrios perdidos.

As perspectivas futuras são pouco animadoras se atendermos aos seguintes aspectos:

    • a população mundial continua a crescer

    • a expansão industrial só agora se verifica em muitos países

    • a reduzida capacidade dos oceanos e das plantas para absorver a grande quantidade de CO₂ lançado para a atmosfera

    • a contribuição cada vez mais intensa dos países em desenvolvimento para a poluição, onde a incapacidade financeira e tecnológica não permitirá controlar, num futuro próximo, o lançamento de gases resultantes do consumo de energia, da desflorestação e até da queima de gás natural excedentário

O ritmo de concentração de gases do efeito de estufa é superior à capacidade humana para impor restrições às suas actividades.


Consequências do aumento global da temperatura média:

    • aumento do nível médio das águas do mar, em resultado da expansão térmica dos oceanos e da fusão dos glaciares e das calotes de gelo polares

    • desertificação de vastas áreas em resultado do aumento da temperatura, sobretudo em regiões intertropicais

    • alterações no ciclo hidrológico com profundas consequências nos ecossistemas naturais e na agricultura, em resultado das mudanças no regime de precipitações a nível mundial (distribuição e frequência)

    • desequilíbrio nos ecossistemas

    • aumento significativo da frequência de catástrofes naturais

    • desenvolvimento de novas epidemias.

Apesar deste cenário, há ainda aqueles (EUA, Japão) que por motivos pouco compreensíveis não ratificaram o Protocolo de Qyoto que traça uma linha de combate às alterações climáticas.


Razões que contribuem para a dificuldade em travar o aquecimento global:

Países Desenvolvidos:

    • Embora sejam os que mais contribuem para o aquecimento global, não querem abdicar dos benefícios conseguidos com as actividades causadoras do efeito de estufa.

    • A aposta nas tecnologias limpas e nas energias renováveis implica investimentos acrescidos e a reconversão dos métodos de produção;

    • Travar o aquecimento do planeta implica crescer a um ritmo menos acelerado, o que se traduz em lucros mais reduzidos a curto prazo para as empresas.

Países em Desenvolvimento:

    • menos responsáveis pelo aquecimento global, consideram que também têm direito a desenvolver actividades que conduzam a um crescimento económico se bem que prejudiciais ao ambiente;

    • Estes países não querem introduzir novos métodos menos prejudiciais se os países desenvolvidos não o fizerem também, pois esta introdução acarretaria custos muito elevados, que encareceriam os produtos nos mercados internacionais, contribuindo ainda mais para a degradação dos termos de troca dos PVD.

    • Sugerem que a mesma introdução seja financiada pelos PD uma vez que estes são os responsáveis pela situação.

O grau de incerteza quanto ao futuro do ambiente bioclimático da Terra deve servir de incentivo à alteração imediata do nosso comportamento face ao meio.



  1. Redução da Camada de Ozono


                     Camada de Ozono estratosférico - Constitui um filtro frágil, com espessura reduzida mas vital à vida no nosso planeta, pois impede que as radiações ultra-violetas atinjam a superfície terrestre.


Situação problemática: há uma relação estreita entre a redução da camada de ozono, o aparecimento de «buracos» e o aumento da concentração atmosférica de constituintes do Clorofluorcarboneto (CFC).

    • É habitualmente utilizado nos frigoríficos e nos sistemas de ar condicionado bem como, de uma forma generalizada, em toda a indústria e em muitos outros produtos, nomeadamente como gases de propulsão (srays).

    • A sua grande estabilidade química permitiu a utilização em larga escala na indústria desde os anos 20. Essa mesma característica permite que, depois de lançado na atmosfera, possa manter-se activo por um período superior a 50 anos.

    • Além de darem um poderoso contributo para a perturbação do efeito de estufa, os CFC’s, ao provocarem a diminuição da camada de ozono, estão a aumentar a possibilidade de os raios ultravioletas chegarem à superfície terrestre


Consequências a médio prazo do aumento da incidência de UV:

      • aumento do cancro de pele

      • aumento dos problemas oftalmológicos com particular incidência no nº de casos de cataratas

      • destruição do plâncton dos oceanos

      • ruptura de cadeias alimentares

A redução da camada de ozono tem sido particularmente importante:

  • nas latitudes médias do Hemisfério Norte onde vivem 75% dos seres humanos;

  • em todas as regiões a Sul do paralelo 60° S.

A consciencialização da gravidade dos efeitos ambientais da contínua utilização de CFC’s, levou a comunidade internacional a reagir de forma rápida e decisiva no sentido de reduzir drasticamente a sua produção.


 Protocolo de Montreal (1987) – um grande número de países signatários declararam diminuir a emissão de CFC’s e outros gases poluentes até final do século.


A resposta internacional, apesar de digna, não resolveu todos os problemas associados à destruição da camada de ozono.

Mesmo que se parasse neste preciso momento todas as emissões desses gases, a herança de várias décadas de uso intensivo ameaça repercutir-se de forma contínua e duradoura.

Razões para encarar o futuro com esperança:

  • o recente alargamento do número de compostos químicos sujeitos a controlo

  • a criação de um fundo multilateral capaz de ajudar os países em desenvolvimento a aderirem ao Protocolo de Montreal e, por essa via, efectuarem um esforço na sua aplicação

  • possibilidade da troca de tecnologias entre os países com graus de desenvolvimento diferentes, com base em fundos multilaterais.


  1. Aumento das Chuvas Ácidas


                   Chuva Ácida -  Deposição húmida de poluentes atmosféricos, em especial derivados do SO₂ e NO₂, que se dissolvem nas nuvens e gotas de chuva, formando ácido sulfúrico (H₂SO₄) e ácido nítrico (HNO₃) – embora o termo inclua também, hoje em dia, a deposição seca dos poluentes atmosféricos (derivados gasosos e partículas).

Situação Problemática: os níveis de acidez da chuva e neve indicam que em muitas partes do mundo a precipitação atmosférica passou de uma solução quase neutra para uma solução diluída de ácido nítrico e ácido sulfúrico extremamente corrosiva e poluente.

As regiões urbano-industriais são as principais responsáveis pela emissão dos gases causadores deste fenómeno (indústria e veículos automóveis).

Mesmo em áreas virtualmente «desindustrializadas» como os trópicos, a chuva ácida ocorre principalmente em função da queima das florestas e do transporte pelo vento do ar poluído.

Os efeitos das chuvas ácidas fazem-se sentir um pouco por todo o globo:

  • nas florestas;

  • nos solos - Como consequência da acidificação dos solos ou do ataque de poluentes directamente às folhas das árvores, vastas florestas estão a morrer.

  • na agricultura - Uma vez contaminados, os solos perdem determinados nutrientes diminuindo a sua vida biológica, o que conduz à infertilidade e à redução das áreas cultiváveis.

  • nos ecossistemas aquáticos - Os cursos de água e os lagos tornam-se tão ácidos, devido ao escoamento das chuvas ácidas e à poluição causada por resíduos tóxicos, que muitas populações aquáticas estão a ser dizimadas.

  • nos edifícios e monumentos - Também nos edifícios e monumentos urbano-industriais, a estrutura em aço, zinco, grés, mármore ou calcário, determina a susceptibilidade da sua preservação face ao aumento da acidez das chuvas.

A redução das emissões dos compostos responsáveis pelo aumento das chuvas ácidas, insere-se num conjunto mais vasto de acções e protocolos cujo objectivo é reduzir em breve outros impactos da poluição atmosférica, nomeadamente no efeito de estufa e na camada de ozono.



  1. Desflorestação


Importância da cobertura vegetal: para além de representar um recurso renovável, exerce funções vitais no planeta:

  • geram e protegem os solos, atenuando os efeitos corrosivos das chuvas, fixando os solos;

  • moderam o clima;

  • armazenam CO₂ e libertam O₂;

  • reduzem os riscos e as consequências das inundações;

  • armazenam água;

  • abrigam a grande maioria das espécies terrestres.

Situação Problemática: a taxa de desflorestação não tem parado de aumentar, apesar da área coberta por florestas estar a diminuir progressivamente há séculos (a taxa anual de desarborização varia, segundo as estimativas, entre os 10 e 15 milhões de hectares, ou seja, uma vez e meia a superfície de Portugal).

Causas da desflorestação:

  • pressão demográfica

  • causas económicas

  • causas agropecuárias

  • lógica de funcionamento do sistema económico internacional e necessidade de alguns países gerarem riqueza para saldarem a dívida externa

  • métodos modernos de derrubar as árvores que contribuem substancialmente para o rápido declínio das florestas

  • recurso a economias agropecuárias nos países em desenvolvimento, que se revelou uma estratégia lucrativa a curto prazo, caracterizada pela utilização extensiva de terras desflorestadas, em zonas de baixa densidade populacional

  • políticas de desenvolvimento sustentadas na expansão de monoculturas para exportação

  • facilidades na obtenção de terra nalgumas regiões, bastando para isso desflorestá-la e usá-la (nomeadamente a ETN’s)

Efeitos nefastos da desflorestação:

  • consequência ecológica significativa ao reduzir o reservatório de carbono armazenado na biomassa, e que é proveniente da fixação por fotossíntese do gás carbónico existente na atmosfera;

  • contribui para reforçar o efeito de estufa, na medida em que o aumento das emissões de CO₂ em resultado de fogos ateados pelo homem deixam de ser compensados, já que a regeneração florestal é substituída por superfícies agrícolas ou de pastagem;

  • empobrece a biodiversidade, provocando a extinção das espécies (2/3 das espécies animais e vegetais vivem nestes habitats;

  • acelera a intrusão do deserto, pois os solos florestais são frágeis – tornando-se improdutivos rapidamente em resultado da prática de uma agricultura intensiva e de uma pastorícia extensiva – e facilmente erodidos por acção das chuvas torrenciais tropicais que levam a fina camada de solo arável;

  • altera o ciclo hidrológico e consequentemente o regime de precipitações, já que uma parte do vapor de água existente na atmosfera resulta da evaporação da transpiração estomática das florestas;

  • ameaça a sobrevivência de povos nativos na Amazónia, no Bornéu ou em várias regiões da Indonésia.

A comunidade internacional pouco fez no sentido de reduzir de forma drástica a elevada taxa de desflorestação.

O futuro das florestas dependerá da capacidade de limitar a desflorestação e o uso extensivo de terra, aumentando ao mesmo tempo a produção de alimentos nas áreas agrícolas existentes.



  1. Esgotamento dos Solos


           Solo -  Epiderme das terras emersa, ou seja, fina camada de terra móvel que cobre grande parte dos continentes. Isto é, é uma película frágil da qual depende a produção alimentar que sustenta os seres vivos.


Causas da erosão dos solos:

  • actividade humana

  • exaustão das fontes de irrigação

  • desflorestação

  • explosão demográfica e ocupação humana de zonas costeiras sensíveis (dunas, praias, falésias)

  • necessidades de crescimento

  • pressão da produção de alimentos através de uma agricultura de subsistência ou comercial, do tipo monocultural e extensiva, e da agropecuária, em terras pouco férteis e semi-áridas

  • retenção das areias pelas barragens, que deixam de ser transportadas até ao oceano, acumulando-se.

Consequências do mesmo:

  • fenómeno de hidromorfia (excesso de água), de salinização e de alcalinização que se desenvolvem em alguns anos em consequência de uma irrigação mal gerida

  • acidificação em resultado da fixação nos solos de poluentes emitidos para a atmosfera nas regiões urbano-industriais;

  • acumulação nos solos de metais pesados, de pesticidas, de materiais orgânicos tóxicos e de elementos radioactivos que contaminam a cadeia alimentar e reduzem a fertilidade;

  • «consolidação» dos solos, particularmente os agrícolas, com a construção civil, processo este completamente irreversível;

  • desflorestação de vastas zonas tropicais que pôs a nu os solos já de si frágeis, tornando-os facilmente erodidos pelos agentes atmosféricos.

  • Além do impacto directo nas áreas imediatamente vizinhas, outras regiões circundantes são afectadas por invasão de areias ou por alterações do regime agrícola e, consequentemente, pelo aumento dos riscos de erosão do solo e assoreamento.

A tomada de consciência das degradações actuais começa, no entanto, por se fazer principalmente sob pressão das evidências económicas, particularmente da redução dos rendimentos agrícolas e do avanço da desertificação.


A necessidade de proteger o solo obriga-nos a encontrar progressivamente uma agricultura menos artificial, menos poluente. Apesar de menos produtiva, pode ser economicamente rentável, com produtos, água e ar de qualidade.



  1. A Escassez e Degradação das Águas (doce e marinha)


A utilização excessiva da água, as irregularidades na sua distribuição espacial (só 2,5% do total de água é doce e dessa percentagem mais de ¾ encontra-se sob a forma de gelo), a variação irregular das precipitações interanuais (em consequência das alterações climáticas em curso) e a poluição estão a provocar danos irreparáveis em muitas regiões do mundo quer do ponto de vista biogeográfico quer económico.

A água é indispensável à vida. Componente essencial de todos os seres vivos, a escassez e a degradação da água tem efeitos gravíssimos sobre a flora, a fauna e a saúde humana.

O desenvolvimento também está condicionado pela disponibilidade de recursos hídricos pois estes são:

  • uma importante fonte de energia

  • essenciais ao funcionamento da actividade económica (agricultura, comércio, transportes, indústria) e da actividade doméstica.

A água constitui um factor de progresso e desenvolvimento.


À medida que a indústria e a agricultura se desenvolveram e a população cresceu, o consumo de água aumentou, descurando a limitação dos recursos de água, e acreditando na capacidade ilimitada do ciclo hidrológico de a renovar

A poluição das águas continua a aumentar devido:

  • à sobreexploração das águas continentais (rios, albufeiras, lagos e toalhas freáticas) reduzindo os seus níveis e consequentemente a sua capacidade de autodepuração e diluição dos resíduos;


A quantidade de água doce para irrigação tem vindo a decrescer à medida que as necessidades de água para uso industrial e municipal crescem.

  • ao aumento do número de efluentes e da quantidade de água que retorna ao ciclo contaminada por componentes tóxicos e pouco ou nada biodegradáveis.

Em quase todas as regiões urbanas, indústriais e agrícolas, vastos recursos aquíferos são contaminados, devido às fugas verificadas nos aterros sanitários, ao grande número de fossas sépticas e às águas residuais da agricultura. Serão necessárias décadas ou séculos para que a limpeza natural desses reservatórios seja feita.

  • ao aumento da poluição atmosférica que acelera as transferências de substâncias poluentes entre o ar e a água, nomeadamente através das chuvas ácidas.

  • Ao produto da pesca intensiva, que continua a crescer globalmente, o que se reflecte na diminuição do número de efectivos de algumas espécies.


Os níveis racionais de exploração já foram ultrapassados em algumas zonas de pesca – exemplo: mar Aral, no Turquistão, reduziu o seu volume de água em 60% e a área ocupada em 40% durante 30 anos de exploração intensiva e de desvio dos seus afluentes (construção de barragens).

O aumento da poluição e a intensificação da pesca estão a pôr em risco os ecossistemas marinhos e, por consequência, a indústria das pescas e a própria alimentação humana.

Os efeitos da poluição dos oceanos são, há algumas décadas, visíveis ao nível das costas e recifes onde se concentra grande parte da vida marinha, mas podem também ser observados em toda a extensão oceânica.

Tendo em conta o aumento das necessidades de água, assistimos a uma competição crescente pelo controlo deste recurso. Têm-se registado disputas pela água dos rios e dos lençois subterrâneos em diversas zonas do mundo.


A interferência nos ciclos da água chegou a níveis nunca atingidos. Barragens enormes retêm parte dos caudais dos rios. As tensões regionais entre países pelo controlo e gestão das águassão uma realidade.

«A água é o petróleo do século XXI»



  1. Diminuição da Biodiversidade


                                   Biodiversidade - variabilidade dos organismos vivos nas suas relações com o meio onde vivem. Admite-se que esta variabilidade diminua por causa da destruição progressiva dos meios onde habitam esses organismos. Mesmo nos ecossistemas artificiais, a biodiversidade será tanto maior quanto mais diversificado e complexo for o ecossistema.


Importância da Biodiversidade:

  • Valor Genético: fornece recursos essenciais para a produção de medicamentos e vacinas

  • Valor Económico: muitos dos produtos são essenciais no fabrico de vestuário, de produtos químicos ou são utilizados na alimentação (mantendo-se assim as dietas alimentares de cada povo).

  • Valor Ambiental: garante o equilíbrio dos ecossistemas e o consequente equilíbrio bioclimático e contribui para a regulação e fertilidade dos solos.

Situação Problemática: Apesar de vivermos o período mais rico em termos de biodiversidade, prevê-se que o mundo perca de 2% a 7% das suas espécies nos próximos 20 anos, ao ritmo de 20 a 75 espécies por dia.

O aumento do número de efectivos humanos desenvolveu um processo contrário em outras espécies. Em cada dia que passa a herança genética da «nossa casa» vai-se perdendo, irremediavelmente.

Causas da redução da Biodiversidade:

  • desflorestação da floresta tropical onde vivem 2/3 das espécies da fauna e da flora do mundo;

  • pressão agrícola com a criação de ecossistemas artificiais protegidos dos seres indesejáveis;

  • caça não regulamentada que tem dizimado espécies (sem fins exclusivamente alimentares)

  • exploração contínua dos recursos não renováveis

  • pesca industrial

  • poluição da água, dos mares e dos solos.

Consequências desta redução: são imprevisíveis embora os cientistas alertem para o facto de que com as rápidas mudanças climáticas em curso e com a menor diversidade biológica, a capacidade de adaptação será menor comprometendo a evolução da vida no planeta e a sobrevivência dos seres humanos.


Os ecossistemas funcionam e têm vitalidade com base numa cadeia de interacções que, se interrompidas, põem em causa o seu equilíbrio.

Muitos esforços têm sido feitos no sentido de proteger os habitat mais significativos, através da criação de reservas biológicas, parques e áreas de protecção ambiental. No entanto, a escassez de recursos e a fiscalização inadequada fazem com que a protecção não ocorra efectivamente na maior parte delas.


A maioria dos santuários de biodiversidade localizam-se nas regiões menos desenvolvidas. Porém, os PVD não têm capacidade técnica e financeira par afazer face aos problemas ambientais e preservar a biodiversidade. A maioria dos impactos ambientais resultam do nível de pobreza que atingiram, da deslocalização de indústrias poluentes por parte dos países mais industrializados e das estratégias de desenvolvimento adoptadas, baseadas na sobreexploração dos recursos primários. O esforço para reduzir o défice da balança comercial traduz-se numa delapidação desses recursos.



  1. Esgotamento dos recursos energéticos não renováveis

O crescimento económico ilimitado, nos países industrializados, motivou modos de comportamentos e estilos de vida («sociedade do desperdício») incompatíveis com a capacidade de renovação dos recursos e com a sua escassez.

O ritmo acelerado de consumo dos recursos, nomeadamente os energéticos, contrasta com a sua lenta regeneração.

Os profundos desiquilíbrios sociais determinam diferentes capacidades de acesso e utilização, com efeitos diversos sobre o ambiente.

O fluxo de combustíveis fósseis é limitado, não só na origem (reservas) mas também na capacidade dos depósitos (atmosfera, hidrosfera, litosfera) que armazenam o resultado da combustão dos combustíveis fósseis.

        • Apesar da grande quantidade de carvão existente no subsolo, o seu uso será limitado pela capacidade da atmosfera em absorver o CO₂ produzido durante a sua utilização;

        • O petróleo esgotar-se-à na fonte no decurso deste século, ao mesmo tempo que a sua combustão continuará a reforçar o efeito de estufa;

        • O Gás natural, de todos o menos poluente, apesar de terem sido descobertas jazidas e de as estimativas das reservas serem consideráveis, o aumento da sua utilização conduzirá ao seu esgotamento num prazo nunca superior a 240 anos, mas que poderá muito bem ser de apenas 50 anos.


  1. Esgotamento dos recursos minerais não renováveis

A grande maioria das matérias-primas constituem também recursos não renováveis que, com excepção do ferro e do alumínio, são extremamente limitados.

Mantendo o ritmo de crescimento da utilização das diversas matérias-primas, para além de reduzir a concentração de minério, aumenta o uso dos combustíveis fósseis para a sua exploração e a produção de resíduos, e emite poluentes durante todo o processo saturando os depósitos.



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publicado por Ana Silva Martins às 19:30
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