Sábado, 22 de Abril de 2006
A Defesa do Ambiente e a Utilização dos Recursos - A globalização da Degradação Ambiental
 

Causas da Degradação Ambiental


Industrialização e Crescimento Económico


A Industrialização e o aumento da poluição

O processo de industrialização e o consequente crescimento explosivo da população, em resultado da redução das taxas de mortalidade, fizeram aumentar de forma exponencial:

  • A Poluição: as actividades humanas lançam para a atmosfera uma grande diversidade de gases. Os países industrializados do Norte são os principais produtores mundiais e também os mais poluentes.

  • O consumo dos recursos do nosso planeta (água-energia-minerais): O crescimento económico ilimitado determinou níveis de consumo de recursos insustentáveis.

  • A Produção alimentar: aumenta todos os anos para satisfazer uma população em crescimento. A prática da agricultura intensiva e o aumento das áreas cultivadas têm reflexos negativos no ambiente acelerando o esgotamento dos solo e a desflorestação.


O nível de desenvolvimento e os impactos ambientais:

O Impacto ambiental do crescimento económico reflecte-se de modo diferente de acordo com o desenvolvimento económico dos países.

Países Industrializados: Podem atenuar os efeitos da industrialização:

  • Utilização de novas tecnologias, que têm conduzido à desaceleração do consumo de recursos escassos e à redução dos níveis de poluição.

  • Utilização, com grau crescente de importância, de novos materiais e energias alternativas, em resultado de investimentos consideráveis e de longos períodos de análise e pesquisa.


A aposta na investigação e utilização de novos materiais e fontes de energia, reflecte uma nova atitude ecológica por parte dos governos nacionais e das instituições internacionais.

Países em Desenvolvimento:

  • As indústrias que mais se apoiam nos recursos naturais e que são fortemente poluentes aumentam rapidamente nestes países.

      • Deslocalização de indústrias feita pelos países industrializados;

      • Necessidade de crescimento destes países.

  • A degradação ambiental é mais visível e dramática.

  • A redução dos efeitos secundários revela-se mais difícil nos países cujo domínio das tecnologias ainda não foi conseguido.


Os impactos ambientais são mais violentos devido à sua incapacidade tecnológica para fazer face à adversidade.

  • A inserção dos países do Sul na lógica da DIT dificulta a sua própria capacidade para reduzir o impacto ambiental das actividades humanas, na medida em que eles surgem como fornecedores de matérias-primas e mão-de-obra.

A degradação dos termos de troca, provocando um aumento da dívida externa, leva a tentativas desesperadas de aumentar as receitas que passam, inevitavelmente, pela sobreexploração dos solos e pela delapidação dos recursos do subsolo.


Embora as causas possam ser diversas e a sua origem geográfica muito distante, as consequências da acção do homem reflectem-se em todo o planeta, destruindo ecossistemas e pondo em causa o equilíbrio bioclimático global.


A problemática da contabilização dos custos da poluição:

  • A atitude de desresponsabilização dos actos de degradação ambiental assumida pelos governos e instituições internacionais um pouco por todo o mundo, tem-se revelado preocupante.


A não contabilização dos custos de poluição no cálculo dos custos de produção reflecte a irresponsabilidade de quem tem de definir as políticas ambientais e económicas a seguir em cada país, com prejuízos para as futuras gerações.

  • O alastramento e agudização da crise ambiental constituem uma ameaça à segurança nacional – e até à sobrevivência – mais perigosa do que podem vir a ser nações vizinhas com arsenal bélico considerável e mau génio.


Um pouco por todo o planeta surgem focos de tensão política e social, em resultado da degradação ambiental.

  • As despesas com a defesa continuam a ocupar uma parcela significativa dos orçamentos dos Estados, comprometendo o processo de desenvolvimento, nomeadamente na sua vertente ecológica:

      • Redução dos níveis de consumo dos recursos;

      • Redução da emissão de gases e outras formas de poluição.



Crescimento Demográfico e Urbano


Impacto ambiental do Crescimento populacional:

    • O crescimento explosivo da população constitui um dos principais problemas no início deste século.

O extraordinário crescimento demográfico, que os países em desenvolvimento têm conhecido no último século, ultrapassa largamente a estagnação demográfica recente dos países industrializados e tem determinado uma taxa de crescimento populacional global muito elevada.

    • O crescimento da população mundial aumentou o consumo dos recursos do planeta, na medida em que cada pessoa necessita de satisfazer as suas necessidades básicas.

Danos nos ecossistemas resultantes das actividades humanas:

      • desflorestação;

      • poluição (industrial, agrícola e doméstica);

      • contaminação de águas e solos;

      • esgotamento dos solos resultante de práticas agrícolas e da pressão alimentar;

      • diminuição do número de efectivos de algumas espécies e extinção de outras, resultante da pesca e caça excessiva.

    • Quanto maior o número de habitantes, maiores as exigências impostas ao meio ambiente, não só ao nível da exploração dos seus recursos, mas também no modo como serão absorvidos pela biosfera as grandes quantidades de resíduos e gases poluentes.


Impacto ambiental das elevadas concentrações urbanas:

Apesar da diversidade de situações o crescimento urbano não foi acompanhado, na maioria dos países, por um investimento do Estado na organização de sistemas eficazes de fornecimento de água limpa, de esgotos, de transportes e de escolas.

Países desenvolvidos:

    • A taxa de urbanização é maior.

    • O crescimento urbano estagnou há já alguns anos, o que de algum modo permituiu atenuar ou diminuir os níveis de poluição registados.

    • A inovação tecnológica, a produção de legislação restritiva e os investimentos significativos contribuíram para melhorar a qualidade do ar.

    • No entanto, os padrões de vida e o domínio tecnológico elevado acabam por implicar a utilização de quantidades de energia muitas vezes superiores às dos PED.

    • O desemprego, a deterioração das infra-estruturas, a decadência dos bairros centrais e dos subúrbios e a própria degradação ambiental, podem conduzir à inversão do processo de desenvolvimento, ao declínio económico e à decadência das cidades.

    • O problema do tratamento e armazenamento dos resíduos sólidos atinge uma dimensão preocupante.

      • O controlo da poluição resultante do aumento dos resíduos sólidos requer grandes investimentos. A aplicação de novos sistemas de armazenamento e tratamento de lixos tem sido realizada de forma muito lenta.

      • Há ainda uma elevada percentagem de resíduos sólidos que são incinerados ou lançados em lixeiras a céu aberto sem qualquer tratamento.

      • A compostagem ou os aterros sanitários, como formas de armazenamento dos lixos, e a reciclagem de materiais, como processo de tratamento e reaproveitamento do lixo, representam valores relativamente baixos apesar da evolução considerável nos últimos anos.


Países em Desenvolvimento:

    • Verifica-se um forte êxodo rural devido à procura de melhores condições de vida e bem-estar.

    • A progressão das taxas de urbanização é mais elevada nestes países, pelo que os efeitos ambientais são mais gravosos, particularmente em relação ao saneamento e à poluição atmosférica.

    • O problema da poluição do ar e da água, os ruídos e a poluição por resíduos sólidos assume assim nestes países maior gravidade.

    • A expansão descontrolada das cidades, a insuficiência das infra-estruturas essenciais e o seu estado avançado de degradação dão origem à proliferação de doenças.

    • A deterioração das canalizações e da rede de esgotos contaminam a água potável.

    • As indústrias lançam os seus resíduos para os rios sem qualquer tratamento, em redor dos quais se amontoa uma parte considerável da população, que vive assim numa grande promiscuidade, em terrenos que ninguém quer.

    • Os lixos acumulam-se nas ruas ou em lixeiras a céu aberto sem preocupações especiais com a impermeabilização dos solos. A recolha e tratamento dos resíduos sólidos é insignificante.

    • O crescimento urbano tem vindo a fazer-se em terrenos de boa aptidão agrícola.

    • Inexistência de uma estratégia explícita que possa controlar o crescimento das megacidades, a degradação urbana e o aumento da poluição.




A Globalização da Degradação Ambiental



A Abrangência dos Problemas Ambientais

Por vezes com origens ou causas bem definidas/localizadas, a degradação ambiental multiplica-se a um ritmo mais acelerado; as suas consequências são imprevisíveis mas estão em marcha e não deixarão de afectar todos os países sem excepção.

Com as catástrofes locais de amplas consequências percebemos que os problemas ambientais ignoram as fronteiras nacionais afectando vastas regiões do planeta.

Quase todos os países industrializados se debatem com um conjunto de fenómenos de degradação ambiental resultantes do aumento da poluição:

    • contaminação das águas e inquinação de toalhas freáticas;

    • saturação dos solos por excesso de utilização de fertilizantes e pesticidas;

    • urbanização intensa de regiões ecologicamente frágeis como as zonas costeiras;

    • chuvas ácidas resultantes das emissões de CO₂, metano ou ácido sulfúrico para a atmosfera;

    • produção de resíduos nocivos e o seu lançamento no solo, no ar e na água.

Nos países em desenvolvimento a degradação do ambiente generaliza-se atingindo dimensões consideráveis tais como:

    • desertificação

    • desflorestação

    • erosão e salinização dos solos

    • inundações

    • urbanização selvagem das áreas periféricas das megacidades envolvidas por uma atmosfera irrespirável constituída por dióxido de enxofre, CO e NO₂ (causadores de doenças respiratórias, cardíacas, cerebrais e depressivas).

A consciencialização da globalização dos fenómenos é fundamental. O perigo da ruptura definitiva dos equilíbrios bioclimáticos é real.


Grau de interdependência entre os fenómenos locais e globais:

    • Os problemas ambientais ignoram as fronteiras nacionais.

    • Os problemas ambientais globais resultam do somatório de desiquilíbrios ecológicos à escala global.

    • A dinâmica de funcionamento do planeta Terra distancia espacialmente a origem, da zona ou região onde se repercutem com maior intensidade os fenómenos de degradação ambiental.

Os problemas globais que perturbam o planeta mostram-nos a precaridade desses equilíbrios, pela complexidade e generalização dos fenómenos que hoje afectam a «nossa casa», tais como:

    • intensificação do efeito de estufa devido ao aumento das emissões de CO₂;

    • contaminação da cadeia alimentar e redução da diversidade de espécies;

    • redução da espessura da camada de ozono, nomeadamente sobre a Antárctida.

 


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publicado por Ana Silva Martins às 19:31
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2 comentários:
De PALOMA DEBORA DOS SANTOS a 28 de Abril de 2008 às 14:07
NAO ENTENDI NADA ESTOU ATRAS PPADPB




De fernanda a 6 de Março de 2010 às 16:29
ameeii tinha tudo oque eu precisava pro meu trabalhoo mtoo o Brigadoo


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